O ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse, este sábado, que nunca deu orientação quanto à venda dos quadros de Miró e que a coleção podia ter sido usada «como dação em pagamento da dívida» para a Caixa Geral de Depósitos.

«Nunca dei qualquer orientação. Ou eu, ou que eu saiba qualquer outro membro do Governo ou do Ministério, qualquer orientação de venda [da coleção de quadros de Miró]. Nem sequer fomos interpelados no sentido de nos pronunciarmos num cenário de venda. Nem fomos interpelados no sentido de dizer se deviam ser vendidos ou não», disse Teixeira dos Santos.

O ex-ministro do Governo socialista de José Sócrates falava aos jornalistas à entrada para o debate «Consolidação Orçamental e Crescimento Económico», promovido pela Distrital PS Porto, que se realiza esta manhã, nesta cidade.

«O dizer que é preciso vender os quadros porque é preciso pagar uma dívida à Caixa Geral de Depósitos, essa é uma opção sem dúvida. Mas se por ventura da análise que fosse feita por alguém que fosse mais conhecedor do que eu do interesse dos quadros (?) um fundamento económico que viesse a justificar mantermos os quadros no país, creio que o facto de ter de se pagar uma dívida à Caixa Geral de Depósitos não seria impeditivo disso», referiu Teixeira dos Santos.

O ex-ministro das Finanças considerou mesmo que esta instituição bancária até poderia utilizar a coleção como «dação em pagamento da dívida». «A própria Caixa Geral de Depósitos poderia aceitar os quadros como dação em pagamento da dívida ou do peso da dívida existente», referiu o ex-ministro das Finanças.

«Nem sequer o assunto foi tratado. Creio que nem se deram ao trabalho de ver qual era o interesse artístico e económico da coleção», acrescentou o ex-ministro das Finanças.

Quando questionado sobre se o Ministério Público «trabalhou bem» neste processo, Teixeira dos Santos considerou de imediato que sim: «Fez o seu trabalho. Creio que com uma certa questão de tempo, o Ministério Público andou bem».

O semanário «Expresso» noticiou este sábado que o «processo de venda de Mirós começou no Governo PS» e que as negociações iniciaram-se em 2008.