O ministro da Economia, Pires de Lima, disse, esta segunda-feira, ser preferível exagerar nos elogios às empresas do que desvalorizar os sinais de retoma económica, como faz a oposição, admitindo um «excesso de linguagem» quando falou em «milagre económico».

Pires de Lima assumiu aos jornalistas, no Porto, à entrada para as jornadas do PSD/CDS-PP «Portugal no rumo certo. Mais Indústria. Melhor Economia. Mais Emprego», que a expressão «milagre económico» que usou anteriormente foi «manifestamente um excesso de linguagem», mas considerou que «toda a gente percebeu».

«Acho que é bem preferível, eventualmente, exagerar nos elogios que eu tenho feito às empresas por serem as grandes obreiras desta recuperação económica, tendo como parceiro o papel do Estado e do Governo do que, permanentemente, como fazem os partidos da oposição, desvalorizar os sinais de retoma económica, de crescimento económico», defendeu.

Na opinião do ministro, com esta atitude desvaloriza-se «o trabalho que as empresas em Portugal estão a fazer e que tem tradução muito nítida nos indicadores de crescimento económico que temos desde há três trimestres e na diminuição gradual, lenta mas consistente do desemprego».

A expressão «milagre económico» voltou à ordem do dia no debate quinzenal da passada sexta-feira, tendo o secretário-geral do PS acusado o Governo de estar a criar «uma fábula» para efeitos eleitorais, proclamando um «milagre económico», com o primeiro-ministro a contrapor que os socialistas parecem zangados quando há boas notícias.

Pires de Lima considerou ainda «muito importante» o convite feito pelos dois partidos que suportam a coligação sobre o fomento industrial, «um projeto que o Governo apresentou em novembro e que tem vindo a concretizar medida a medida e que é indiscutivelmente um tema prioritário na agenda da recuperação económica para os próximos anos».

«De tal forma que Portugal teve o gosto, a semana passada, de aqui receber os meus homólogos de Espanha e de Itália e liderar uma posição comum na Europa do Sul para que o tema da reindustrialização seja um tema central na agenda europeia e com isso possa gerar mais oportunidades de emprego», enfatizou.

O governante antecipou ainda aos jornalistas que iria falar também da discussão sobre infraestruturas em termos de investimento para os próximos anos, tema que está em discussão pública.

«Um tema para o qual nós queremos ouvir não só as forças da sociedade civil, as CCDR, mas também - como dei nota hoje no convite que fiz através do Ministério da Economia - todos os partidos que têm assento parlamentar», afirmou.