O ministro da Economia desvalorizou esta quarta-feira as advertências do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre Portugal, sublinhando ter «muito orgulho na evolução das exportações portuguesas» e elogiando «o mérito» de vários setores de atividade.

O governante português falava aos jornalistas numa livraria no centro de Bruxelas, no final de uma palestra subordinada ao tema «A retoma da economia portuguesa», em que esteve acompanhado pelo embaixador Domingos Fezas Vital, representante de Portugal junto da União Europeia, e onde marcaram presença vários empresários e funcionários portugueses nas instituições europeias.

Durante a sua intervenção, que durou mais de uma hora e em que respondeu a algumas perguntas, António Pires de Lima referiu-se indiretamente ao documento do FMI conhecido esta quarta-feira, que deixa alguns alertas em relação à economia portuguesa, para lamentar que «algumas entidades internacionais desvalorizem o esforço das empresas portuguesas».

Já em resposta aos jornalistas disse não querer comentar diretamente o relatório, mas, afirmou «não dar muita relevância a comentários de entidades internacionais quando estão a falar de uma agenda» que diz conhecer «melhor» por estar «perto das empresas».

«Tenho pena que muitas vezes o discurso político não seja mais consensual no sentido de reconhecer o mérito enorme que os vários setores da economia portuguesa, liderados obviamente por agentes privados, estão a ter neste percurso das exportações, que é composto de bens e serviços, nomeadamente o turismo», afirmou.

O responsável pela pasta da Economia frisou ter «muito orgulho na evolução das exportações portuguesas, incluindo do setor dos combustíveis e minerais», uma das áreas que o FMI diz ter inflacionado a subida verificada em Portugal, e que «a agenda» das exportações é «composta por muito jogadores».

«A agenda das exportações é construída por muitos outros setores que não merecem ser desvalorizados, nomeadamente pelos agentes políticos, porque não reconhecer o crescimento das exportações no setor dos têxteis, dos calçados, do papel, das máquinas, do farmacêutico e dos serviços ligados à indústria, é não reconhecer o mérito dessas empresas», sustentou.

«O meu papel como português é valorizar o trabalho de todos esses setores, não propriamente diminuí-lo», acrescentou António Pires Lima.

Aos jornalistas, o governante disse não querer abordar temas nacionais por estar no estrangeiro, mas apenas «dar nota aos senhores empresários que vão continuar a ter toda a ajuda para que esta agenda [exportações] possa continuar a ser bem-sucedida».

Apelou ao PS para compromisso sobre crescimento

O ministro da Economia apelou à abertura da oposição, e principalmente do PS, para um compromisso em torno de «uma agenda para o crescimento» económico e para reformas como a do IRS.

O governante referiu-se à crise política de julho de 2013, com as demissões dos então ministros da Economia Vítor Gaspar e dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, para afirmar que dificilmente se esperaria que no final de fevereiro de 2014 se discuta se Portugal vai ou não concluir o programa de assistência financeira, mas «a forma como vai sair».

Pires de Lima sublinhou «a correção do défice externo», que tem progredido «substancialmente», e elogiou várias vezes a capacidade das empresas em Portugal, os «verdadeiros obreiros da recuperação».