O primeiro-ministro admite que as medidas de austeridade inscritas no Orçamento do Estado para 2014, cuja proposta foi ontem conhecida, são «realmente duras», mas sublinha que o esforço pedido aos portugueses em 2012 foi pior.

«São medidas realmente difíceis», admitiu, ressalvando que «quando as comparamos com o esforço que fizemos em 2012, não representam um esforço maior, nem para os pensionistas nem para os funcionários públicos».

Nas contas do chefe do Executivo, estas duas classes «não vão sofrer uma redução superior àquela que tiveram em 2012».

Passos admitiu que «a redução nos salários da função pública é maior do que aquela que já existia desde 2011», mas sublinhou que a mesma «não vai acumular, vai substituir» a que está atualmente em vigor.

O primeiro-ministro considerou que 2013 «foi um ano especial, na medida em que o Governo teve de fazer a reposição por inteiro do subsídio de Natal» e lembrou ainda que as medidas «de maior impacto social» estavam previstas no resultado da sétima avaliação da troika.

Passos assumiu que o Orçamento para o ano que vem «tem em vista um défice de 4% em 2014, meta que nós iremos cumprir».

Em declarações aos jornalistas, num hotel da Cidade do México, onde se encontra em visita oficial, Pedro Passos Coelho diz que o Orçamento do ano que vem chama «todos os setores da sociedade portuguesa» a contribuir para a redução do défice.

«Não há rigorosamente nenhum setor em Portugal que não contribua de forma especial para esse objetivo», referiu.

Passos Coelho admitiu que o cumprimento desta meta de 4% depende de variáveis que nem sempre estão na mão do Governo português.

O primeiro-ministro explicava, a pedido dos jornalistas, as declarações da ministra das Finanças, feitas durante a conferência de imprensa onde foi apresentada a proposta de Orçamento, onde Maria Luís Albuquerque admitiu que fatores fora do controlo do Executivo podiam fazer resvalar o défice deste ano dos 5,5% previsto para 5,8%.

«O que a senhora ministra das Finanças fez foi transmitir aos portugueses com muita transparência que, se o orçamento é um orçamento feito para um défice de 4%, como é esperado que seja da parte dos nossos credores, é verdade também que isso depende de variáveis que nem sempre estão na nossa mão», explicou Passos Coelho.

«Há sempre riscos, como é evidente», admitiu, garantindo no entanto, que não se tratam de novos riscos, e sim dos mesmos que «de há muito tempo a esta parte» Portugal vem enfrentando.

«O que a senhora ministra disse, e eu confirmo, é que já em anos anteriores uma coisa é o que nós acordamos com os nossos credores, outra coisa é o que seria o défice se medidas extraordinárias não fossem adotadas. São coisas diferentes. Ora, o défice que nós atingiremos em 2014 será de 4% com as medidas que estão neste Orçamento do Estado.