O presidente do Banco Central Europeu (BCE) disse esta segunda-feira em Bruxelas que Portugal deve prosseguir o esforço de consolidação das contas públicas, sublinhando que o país deve ter em mente as reações «brutais» dos mercados às mais pequenas dúvidas.

«A história recente mostra que mesmo o menor sinal de que os progressos na consolidação orçamental podem ser postos em causa leva os mercados a reagir de forma brutal. Viu-se com os juros da dívida: os juros saltaram ao menor sinal de que algo poderia correr mal, e depois recuaram tão depressa quanto subiram», apontou Mario Draghi, que considerou por isso não ser a altura indicada para se falar de uma extensão das metas do défice para Portugal.

O presidente do BCE, que respondia a uma questão da eurodeputada socialista portuguesa Elisa Ferreira sobre a situação em Portugal, durante um debate na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, frisou que esta reação dos mercados às mínimas dúvidas sobre a determinação na implementação das medidas de consolidação orçamental deve ser sempre tida em conta pelos países mais frágeis, que não devem assim relaxar os seus esforços.

«É algo que não nos podemos esquecer. A disciplina dos mercados está aí e vai continuar, e temos de ter isso em conta no que fazemos», advertiu.

Afirmando que se podem ver atualmente em Portugal «os primeiros sinais de uma retoma», Draghi defendeu por isso a necessidade de o país seguir o caminho que tem feito desde o início do programa de assistência financeira.

«Na frente orçamental é muito importante os países não porem em causa os progressos que fizeram na contenção orçamental, por isso não acho que esta seja a altura de falar de extensões (de metas), mas simplesmente continuar».

O presidente do BCE disse ser «absolutamente essencial» prosseguir a consolidação orçamental, embora «amiga do crescimento» ¿ ou seja, especificou, baseada nos cortes na despesa e não tanto com recurso a impostos -, implementar plenamente as reformas estruturais, «para tornar sustentável a retoma e a correção dos desequilíbrios», acrescentando ainda que, no caso de Portugal, «há também muito a fazer na área das privatizações».