A CGTP recusou hoje aceitar a subida do salário mínimo nacional como «moeda de troca» para uma nova ofensiva aos trabalhadores e exige a atualização a 1 de junho do valor desta retribuição para os 515 euros.

«Não se pode passar para outro processo sem encerrar este», disse o secretário-geral da estrutura sindical no final de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que recebe hoje os parceiros sociais no âmbito da conclusão do Programa de Assistência Financeira.

«Não faz sentido abrir um outro processo misturando o trigo com o joio, o trigo objetivamente é o salário mínimo nacional, que tem que ser atualizado no 1 de junho para 515 euros. Misturar esta com outras matérias na concertação social é o mesmo que dizer que nós, para aceitarmos a subida de 15 ou 30 euros, seríamos confrontados com propostas que retirariam 150 a 200 euros aos trabalhadores na sua retribuição», disse.

Assim, para Arménio Carlos, o Governo pretende negociar a melhoria do valor do salário mínimo com «algumas concessões» por parte dos sindicatos, «mexendo nas indemnizações e na contratação coletiva», nomeadamente alterando ou eliminando cláusulas «que hoje são mais favoráveis aos trabalhadores», entre as quais as relativas a subsídios, trabalho extraordinário e abonos.

De acordo com a estrutura sindical, o Governo estará ainda interessado em aproveitar esta negociação para alterar a lei dos despedimentos para reduzir as indemnizações para os despedimentos ilegais.

«Nós não aceitamos de forma nenhuma que o salário mínimo nacional seja moeda de troca para uma nova ofensiva que ira empobrecer ainda mais os trabalhadores», sublinhou.