Associações de comerciantes contactadas pela Lusa consideraram hoje que há alguns indícios positivos que permitem antever alguma recuperação nas vendas neste Natal em relação ao ano passado, embora ainda longe dos níveis anteriores à crise económica.

“Neste momento temos alguns indícios positivos. Não se pense que ultrapassaremos os níveis antes da crise, mas nota-se alguma recuperação. Aliás, alguns indicadores que vão nesse sentido. Um é a baixa da poupança, outro é estar a aumentar o crédito ao consumo”, destacou João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).

Vieira Lopes destacou que há setores, como o alimentar, que “têm tido uma recuperação lenta, mas constante, influenciados por alguma expetativa que existe em termos das pessoas com mais baixos salários”.

Já o setor automóvel tem registado “crescimentos muito grandes, mas também tiveram quebras enormes e ainda não chegaram aos números antes da crise”, fundamentalmente “nas grandes cidades”.

“De uma maneira geral, esperam-se vendas um pouco melhores do que no ano passado, sem uma diferença espetacular”, acrescentou, considerando “que, globalmente, as pessoas também se cansaram um bocado da crise e, sem entrarem em excessos, estão novamente a consumir mais próximo dos rendimentos que têm”.

Vieira Lopes destacou também que ainda não foi possível “medir os efeitos da liberalização das épocas de saldos para perceber se isso levou a antecipações de compras ou adiamentos de compras”, porque é o primeiro ano, nem é possível medir os efeitos de outras práticas comerciais, como as vendas eletrónicas e outras.

“Nós pensamos que, neste momento, é interessante a atitude das pessoas, mas também não temos expetativas exageradas porque não houve uma grande alteração dos rendimentos das famílias. Só uma alteração do rendimento das famílias é que poderá criar expetativas mais positivas”, salientou.

Segundo o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Manuel Lopes, “tem havido muito público consumidor na Baixa de Lisboa”, mas, em termos de comércio, “tem havido alguns altos e baixos”.

“Esta semana por acaso até não tem sido das mais fortes no comércio na Baixa. Mas há uma esperança muito grande, de uma forma geral, de que este Natal será ligeiramente superior ao anterior”, disse.

Manuel Lopes salientou que há uma esperança maior dos empresários, mas que depende de setor para setor.

“Quem está ligado ao turismo está a fazer uma faturação razoável em relação ao ano anterior enquanto outros nem tanto”, adiantou, considerando que o pronto-a-vestir “não estará no seu melhor”.

Pelo seu lado, Victor Silva, da Associação de Valorização do Chiado, considera que “há uma retração maior” com a liberalização dos saldos, porque as pessoas não sabem quando os saldos começam, mas “há muito mais gente nas ruas aos fins de semana, embora durante a semana nem tanto”.

“Está a ser possível manter o equilíbrio”, disse, salientando que alguns condicionamentos de trânsito na zona estão a contribuir para que “as pessoas se cansem de esperar e acabem por ir para outros lados”.

No entanto, destaca que, apesar de haver mais pessoas na rua, “não há mais pessoas a comprar” e “os números andarão muito idênticos aos do ano passado, o que não é mau”, porque também não há uma descida, o que parece indicar que “o comércio de rua está a recuperar”.

“Agora, faltam-nos estes últimos dias e há uma certa expetativa de que as pessoas deixem de se conter face a algumas ofertas que têm de fazer e que o façam nesta reta final”, afirmou.