A Fitch admite que o Novo Banco venha a ser vendido por menos de 4,9 mil milhões de euros, defendendo que, nesse caso, deve existir um mecanismo que permita à banca suportar esses custos diluindo-os no tempo.

«Se existirem perdas decorrentes da venda do Novo Banco devem ser suportadas pelo sistema financeiro. Se as perdas forem significativas, deve existir algum mecanismo para permitir que estes custos sejam diluídos no tempo», disse hoje aos jornalistas Roger Turró, diretor da Fitch para as instituições financeiras.

Roger Turró disse ainda que a agência de notação financeira admite que o Novo Banco não venha a ser vendido por 4,9 mil milhões de euros, recordando a experiência espanhola.

«Em Espanha houve a resolução de alguns bancos e depois da venda o montante que foi injetado não foi recuperado. Mas é difícil de quantificar e talvez o Novo Banco tenha um final diferente», disse o analista da Fitch.

«Veremos quando é vendido, a que preço e se existe um mecanismo para diluir as perdas», acrescentou.

Questionado sobre se a venda do Novo Banco sem perdas pode significar uma melhoria no ‘rating’ da banca portuguesa, Roger Turró admitiu que sim, mas sublinhou que os principais riscos associados dos bancos são a qualidade dos seus ativos e a sua rentabilidade.

À exceção do Santander, a Fitch atribuiu aos outros cinco bancos portugueses um ‘rating’ de lixo, caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), do BCP, do BPI, do Montepio e do Banif.

A perspetiva atribuída pela Fitch ao setor financeiro é estável, pela melhoria do contexto económico, pela estabilização da qualidade dos ativos, pelo estimado regresso à rentabilidade e por uma melhoria na capitalização dos bancos.

O BES registou prejuízos históricos de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2014, tendo sido este o início de uma crise bastante mais profunda que motivou a intervenção do Banco de Portugal.

No início de agosto, a instituição liderada por Carlos Costa decidiu aplicar uma medida de resolução ao BES: separou os ativos e passivos considerados não problemáticos e transferiu-os para um banco de transição (o Novo Banco) e os considerados tóxicos ficaram no chamado 'bad bank', que manteve o nome BES.

O Novo Banco foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros através do Fundo de Resolução Bancária. O Estado português entrou com 3,9 mil milhões de euros neste Fundo, financiados com o dinheiro da 'troika' que estava reservado à banca e que ainda não tinha sido utilizado.