O BCP nunca valeu tão pouco e a volatilidade das ações está a ser um filme impróprio para cardíacos. A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários decidiu manter a proibição das vendas a descoberto até ao final do dia de quarta-feira, 8 de junho. É a terceira ação tomada por parte do regulador para conter aquela prática especulativa financeira, cujo  objetivo é tentar ganhar dinheiro em épocas de baixa cotação, mas de pouco ou nada está a valer.

Se ontem derrapou para sucessivos mínimos históricos, nos 0,0221 euros, esta terça-feira a razia continua. No arranque da sessão em bolsa desta terça-feira, os títulos ainda despertaram a recuperar, mas rapidamente inverteram. Pelas 08:20, já afundavam 4% para 0,0205 euros, um novo mínimo histórico. 

O que mostra que a decisão do regulador não está a surtir efeito para conter a especulação:

"Considerando que a flutuação do preço das ações em causa não pode excluir a ocorrência de um fenómeno de especulação com impacto negativo, a CMVM decide a extensão, por um período adicional de dois dias de negociação, da proibição das vendas a descoberto das ações representativas do capital social do Banco Comercial Português, S.A., com efeitos a partir das 00h00m de 07 de junho de 2016, até às 23h59m do dia 08 de junho de 2016".

O regulamento prevê que a CMVM pode manter a suspensão, também porque em causa estão quedas iguais ou superiores a 5%.

Só na segunda-feira, as ações afundaram quase 8%. Em apenas oito dias, o BCP perdeu 33% da sua capitalização, ou seja, 720 milhões de euros e desvalorizou mais de metade desde o início do ano.

O BPI já superou o banco liderado por Nuno Amado em capitalização bolsista. No fecho de sessão de ontem, o BCP já só valia 1,42 mil milhões de euros.