Os efeitos negativos que a greve dos estivadores está a provocar na região autónoma dos Açores levou o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, a contactar o primeiro-ministro, António Costa. Faltam produtos perecíveis, o escoamento e o abastecimento estão cada vez mais complicados.

"A situação da greve neste setor não é apenas um assunto de eventuais divergências entre trabalhadores e entidades patronais. Neste caso, é uma greve que perturba o funcionamento da economia de uma região e é imperativo ter isso em atenção"

A informação do gabinete da presidência do executivo regional foi divulgada esta quarta-feira. O chefe do executivo açoriano sublinhou que o abastecimento de produtos frescos, a agricultura e as áreas que dependem de produtos vindos do exterior são os setores que mais sofrem com as perturbações da greve.

No caso da agricultura, atualmente é o período das sementeiras de milho, existindo, por outro lado, gado que precisa de ser enviado para fora da região, quer vivo, quer em carcaça.

"É um facto, que hoje temos o dobro de serviços mínimos que tivemos há dois anos. Esse aspeto, fruto também do trabalho do Governo dos Açores, permite maior escoamento de mercadorias, mas não impede que se verifiquem perturbações que nós trabalhamos para minimizar", referiu Vasco Cordeiro.

Na terça-feira, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, José António Azevedo, disse à agência Lusa que “tem havido falta de contentores para fazer o escoamento dos animais, porque no Porto de Lisboa, devido à greve dos estivadores, não os desbloqueiam”.

Além disso, mesmo no caso dos contentores que vão para aquele porto carregados, “é retardada a sua saída”.

“Há 400 cabeças de animais vivos com destino para a Madeira que deveriam fazer transbordo no Porto de Lisboa, que estão nas pastagens. Ter os animais na exploração acarreta mais custos na alimentação, além de poder originar a quebra de compromissos comerciais”.

No passado dia 28 de abril, o Sindicato dos Estivadores emitiu um novo pré-aviso de greve para o Porto de Lisboa, com incidência nos portos de Setúbal e da Figueira da Foz, que prolongou a paralisação até ao dia 27 de maio, entretanto estendida até 16 de junho.

No mesmo dia, o Governo fixou serviços mínimos para os portos de Portugal, tendo o executivo açoriano manifestado satisfação.

Segundo o Governo Regional, os serviços mínimos “preveem que os trabalhadores que adiram à greve assegurem a movimentação da carga de dois navios, de cinco em cinco dias, destinados aos Açores e ainda a movimentação de cargas destinadas à região que constituam produtos de abastecimento de géneros alimentícios, produtos deterioráveis e peças sobressalentes para equipamentos de primeira necessidade”.