O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse hoje que possível privatização da Valorsul será um negócio que vai fazer com que a população de Lisboa e arredores passe a pagar mais pela recolha dos resíduos sólidos.

«Se porventura se concretizasse [privatização] traria problemas graves, nomeadamente para a população. A partir do momento em que a iniciativa privada tomasse conta desta e de outras empresas de resíduos sólidos, naturalmente não iria prestar um serviço de caráter social, iria prestar um serviço para dar lucro. Neste caso concreto aumentaria com certeza a fatura a cobrar aos munícipes da região de Lisboa», frisou à Lusa Arménio Carlos.

O secretário-geral da intersindical juntou-se aos cerca de cem trabalhadores da empresa que se concentraram à porta da central de incineração de resíduos sólidos urbanos, em São João da Talha, Loures, para assinalar o arranque de quatro dias de greve contra a privatização, que se iniciou às 00:00.

«É uma greve que tem esta finalidade: defender os direitos daqueles que aqui trabalham, mas particularmente defender também o direito dos utentes, que neste caso concreto seriam prejudicados com a privatização desta empresa», sustentou Arménio Carlos, cerca das 00:15.

O secretário-geral da CGTP lembrou ainda que a «esmagadora maioria» das Câmaras que enviam os resíduos para a Valorsul, «se manifestou contra a privatização e apoiou a ação de luta dos trabalhadores».

Os 19 presidentes de Câmara, cujo porta-voz neste processo é o autarca de Loures, Bernardino Soares (CDU), têm manifestado a sua oposição à privatização e na quinta-feira anunciaram que iriam exigir uma reunião com caráter de urgência com o ministro da tutela.

Os autarcas argumentam que a privatização da Valorsul vai precarizar a situação laboral dos 380 trabalhadores e fazer aumentar as tarifas de tratamento dos resíduos, assim como prejuízos ambientais.

Nesse sentido, os autarcas prometeram solidarizar-se com a luta dos trabalhadores e evitar enviar resíduos para a Valorsul durante os dias da greve, referindo que vão apelar às populações que tentem guardar a maior quantidade possível de lixo em casa.

Em causa está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma sub-holding do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

Numa carta enviada esta semana aos 19 municípios, servidos pela Valorsul, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, informou que o caderno de encargos da privatização da EGF está concluído e deverá ser analisado até ao final deste mês.

A empresa de resíduos Valorsul serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.