O líder da UGT, Carlos Silva, afirmou esta quinta-feira, em Coimbra, que a subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) é «um mau negócio» para os trabalhadores e o Estado e deixa «péssima imagem» do Governo.

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Os ENVC e os seus trabalhadores «mereciam outro tipo de tratamento e outro tipo de consideração», sustentou o secretário-geral da UGT (União Geral de Trabalhadores), que falava aos jornalistas, ao final da manhã de hoje, depois de ter sido recebido na Câmara Municipal de Coimbra.

O encerramento dos estaleiros e a subconcessão dos seus terrenos e infraestruturas à Martifer «é um mau negócio essencialmente para os trabalhadores» e é «um mau negócio para o Estado», disse o dirigente sindical, sublinhando que «o Estado somos todos nós».

O negócio dos ENVC «é, acima de tudo, uma péssima imagem que fica do Governo da República à forma como deixou os trabalhadores entregues à sua sorte», salientou Carlos Silva.

«O Governo tentou resolver um problema» prejudicando a economia do país, que devia «continuar a investir na indústria naval», defendeu o líder da UGT, também particularmente preocupado com «a forma despudorada» como foram tratados os «mais de 600 trabalhadores dos ENVC».

Além disso, «havia interesse da Câmara Municipal [de Viana do Castelo] e do seu presidente, que entretanto foi reeleito, em apoiar e tentar manter» na cidade e região os estaleiros em funcionamento para evitar «criar um problema social», destacou.

A Martifer diz que «vai recrutar no mercado cerca de 400 trabalhadores, mas não diretamente aos ENVC, ou seja, não há uma transição dos trabalhadores de um lado para o outro, mantendo o seu acervo de direitos», adverte Carlos Silva.

Aquela empresa irá contratar os trabalhadores dos estaleiros que «mais lhe interessar» e, «se calhar, com salários muito inferiores e condições muito inferiores àquelas que, neste momento, dispõem» os trabalhadores dos ENVC, admite o sindicalista.

Depois de ter sido recebido, na companhia de outros dirigentes sindicais, na Câmara de Coimbra, pela vice-presidente, Rosa Reis Marques, e pelo vereador Carlos Cidade, o secretário-geral da UGT seguiu para o Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, e para a Câmara e uma empresa de águas de Penacova.

Os 609 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) vão ser despedidos até janeiro de 2014, processo que vai custar ao Estado cerca de trinta milhões de euros em indemnizações, disse à agência Lusa fonte ligada ao processo de subconcessão.

Em causa está a adjudicação à Martifer da subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC, que anunciou a criação, no período de três anos, de 400 postos de trabalho, mantendo a atividade de construção e reparação naval na região.

Este processo deverá estar concluído até janeiro, altura em que a Martifer, indicou fonte daquele grupo privado português, prevê assumir a subconcessão, que vigorará até 2031. Por esta subconcessão, o grupo pagará 415 mil euros por ano, envolvendo a mesma «única e exclusivamente», a utilização dos terrenos, edifícios, infraestruturas e alguns equipamentos afetos.