O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, destacou esta sexta-feira a grande adesão dos funcionários públicos à greve convocada pelas estruturas sindicais, salientando que souberam responder com «uma fortíssima mobilização» à «carga pesadíssima» que recai sobre estes trabalhadores.

Frente Comum: adesão à greve entre 70 e 100% a nível nacional

À saída de uma reunião com o secretário de Estado dos Transportes, que decorreu no Ministério da Economia, Carlos Silva, afirmou que a adesão se refletiu no encerramento de muitos serviços públicos.

«Isto significa que as pessoas da Administração Pública, seja ela Central ou Local, compreenderam a mensagem, aderiram. (Houve) uma fortíssima mobilização», declarou o líder sindical.

Questionado sobre os números da adesão, sublinhou que o essencial não são as percentagens, e sim «a noção de que há hoje na sociedade portuguesa uma fortíssima sensibilidade para matérias que atacam todos os portugueses, mas penalizam mais uns do que outros».

O secretário-geral da UGT considerou que os funcionários públicos têm vindo a ser tratados «nos últimos quatro anos como se fossem os culpados da crise», apontando para a «carga pesadíssima» que incide sobre os trabalhadores do setor público, além dos impostos.

Já o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, tinha dito anteriormente que a greve teve uma das maiores adesões dos últimos anos, traduzindo uma «resposta à altura» dos trabalhadores face às políticas do Governo.

A greve dos funcionários públicos foi marcada pelas estruturas sindicais do setor como forma de protesto contra novos cortes salariais e de pensões e o aumento do horário de trabalho, entre outras medidas.

A proposta de lei do Orçamento do Estado (OE2014) entregue dia 15 de outubro no Parlamento pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, prevê que seja «aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das Administrações Públicas».

O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta de OE2014, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.