O Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) registou um resultado líquido negativo de 3,5 milhões de euros entre janeiro e junho, valor que compara com o prejuízo de 4,1 milhões de euros apurado em igual período de 2013.

A informação consta nas contas individuais da entidade liderada por José Maria Ricciardi, que é detida a 100% pelo BES, disponíveis no portal do Banco de Portugal.

Nota para o forte aumento das provisões durante os primeiros seis meses do ano, que cresceram 74% em termos homólogos para 56,7 milhões de euros.

O crédito a clientes fixou-se em 761,8 milhões de euros, mais 10% do que no primeiro semestre do ano passado.

Já o ativo total baixou 8% para 3,1 mil milhões de euros, ao passo que o passivo total recuou 10% para 2,6 mil milhões de euros.

No que toca ao capital, houve um reforço de 4,6% para 453,1 milhões de euros.

O BES vai apresentar os seus resultados do primeiro semestre na próxima quarta-feira, dia 30 de julho, após o fecho do mercado. A divulgação das contas do banco agora liderado por Vítor Bento estava inicialmente agendada para a última sexta-feira (25 de julho), mas foi adiada.

A apresentação dos resultados surge num momento conturbado para o BES, depois de nos últimos tempos terem sido tornados públicos vários problemas em empresas da área não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), que têm levantado receios de contágio ao banco, cuja gestão acabou de mudar de mãos.

O BES divulgou em maio que uma auditoria pedida pelo Banco de Portugal às contas da Espírito Santo International (ESI) tinha detetado «irregularidades».

Segundo o documento, esta auditoria externa levada a cabo na ESI «apurou irregularidades nas suas contas e concluiu que a sociedade apresenta uma situação financeira grave».

No mesmo sentido, a comissão de auditoria do Espírito Santo Financial Group (ESFG), que é o maior acionista do BES, com 20,1%, «identificou igualmente irregularidades materialmente relevantes nas contas» da «holding».

O BES acrescentava que esta situação podia afetar a sua reputação, apesar de o banco não ser responsável pela ESI e de a ESFG ter tomado medidas para acautelar problemas.

Desde então, três «holdings» de topo do GES (ESI, Rio Forte e ESFG) avançaram com pedidos de gestão controlada no Luxemburgo, país onde têm as suas sedes, dada a impossibilidade de cumprirem os compromissos financeiros assumidos, nomeadamente, no que toca a dívida emitida e cujas maturidades já foram atingidas sem os devidos reembolsos aos investidores.