As deslocações turísticas feitas por residentes em Portugal aumentaram 8,3% no segundo trimestre, acelerando face ao trimestre homólogo, e totalizaram 4,7 milhões de euros, divulgou hoje o INE.

De acordo com números divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a aceleração no segundo trimestre "reflete o efeito da alteração de calendário da Páscoa que ocorreu no segundo trimestre de 2017, enquanto em 2016 foi celebrada no primeiro trimestre".

As viagens que tiveram como destino o estrangeiro aumentaram 14,8% entre abril e junho (depois de no primeiro trimestre terem crescido 15,7%), correspondendo a 11,3% do total das deslocações turísticas (mais 0,6 pontos percentuais), equivalente a 526,6 mil viagens.

Ainda que as viagens com destino ao estrangeiro tenham apresentado um forte crescimento, de 14,8%, as viagens domésticas predominaram largamente (88,7% do total, 4,1 milhões), tendo registado um aumento de 7,6%", afirma o INE.

A visita a familiares ou amigos agregou 45,2% das viagens (mais 2,3 pontos percentuais do que no primeiro semestre, ascendendo a 2,1 milhões), tendo aumentado 8,3% no segundo trimestre, totalizando 4,7 milhões de euros, após acréscimos 6,1% no primeiro trimestre.

As deslocações para 'lazer, recreio ou férias' representou 41,9% das deslocações (mais 1,5 pontos percentuais, num total de 1,9 milhões de viagens). Os motivos 'profissionais ou de negócios' geraram 8,7% de viagens turísticas (menos 3,5 pontos percentuais, ou seja, 405,3 mil).

Os 'hotéis e similares' ganharam relevância (mais 1,3 pontos percentuais) e agregaram 24,7% das dormidas resultantes das viagens turísticas.

Taxa de ocupação na hotelaria abranda em agosto, mas chega quase aos 90% 

A taxa de ocupação nos hotéis desceu 0,1 pontos percentuais (p.p.) em agosto, na comparação homóloga, atingindo os 89%, informou hoje a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que afirmou preocupação com a duração da estada.

Em comunicado, a AHP destacou o crescimento dos preços em todos os destinos, notando, porém, que a taxa de ocupação nas áreas do Oeste, Estoril, Lisboa, Costa Azul, Algarve e Madeira tiveram uma variação negativa.

Em agosto de 2017, a taxa de ocupação quarto desceu 0,1 p.p., em comparação com agosto de 2016, atingindo os 89%. Em termos de taxa de ocupação por destinos turísticos, cabe ao Algarve (93%), Açores (92%) e Madeira (91%) a maior taxa de ocupação”, lê-se na informação divulgada.

A presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, comentou, em comunicado, em relação a estes números, que, apesar de ser um facto o abrandamento do crescimento da taxa de ocupação, está-se “muito perto dos 90% neste indicador, o que faz com que os valores estabilizem”.

“O que realmente nos preocupa é a duração da estada nos hotéis que é muito baixa e este mês ainda decresceu mais. É tradicionalmente uma estada curta (cerca de dois dias) e que sofreu em alguns destinos turísticos uma descida acentuada, como foi o caso dos Açores (-21%), Estoril e Alentejo (- 12%)”, comentou a responsável, citada em comunicado.

Segundo a presidente, “há destinos em que a estada média não ultrapassa os 1,5 dias, pelo que é premente pensar em fatores de atração que sirvam para prolongar as estadas”.

O preço médio por quarto ocupado (ARR) fixou-se nos 112 euros, numa subida de 7% em relação ao período homólogo, com os destinos turísticos Beiras (15%), Lisboa (14%) e Leiria/Fátima/Templários (13%) a mostrarem os maiores crescimentos.

A RevPAR (receita por quarto disponível) também registou uma subida de 7%, fixando-se nos 99 euros, com destaque para Algarve (154 euros), Estoril (112 euros) e Lisboa (95 euros).

A AHP informou ainda que em agosto, a receita média por turista no hotel subiu 3% face a 2016, fixando-se nos 135 euros, numa análise na qual se destacou novamente Lisboa (17%). Houve, porém, quebra da receita média em destinos como Açores (-13%), Estoril (-11%) e Algarve (-8%).