logotipo tvi24

Aumento da TSU não é igual para todos

Primeiro-ministro garante que «salários mais baixos» serão poupados e que preços vão baixar

Por:
   |   2012-09-13 21:37

O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira que o aumento de 7 pontos percentuais na contribuição à Segurança Social não será igual para todos. Passos Coelho afirmou, em entrevista à RTP, que decorreu na residência oficial, que haverá uma «modelação» na medida, de forma a poupar os rendimentos mais baixos, nomeadamente no caso do salário mínimo nacional.

«Precisamos de modelar a medida para que quem tenha menos recursos seja poupado a este ajustamento», sublinhou o primeiro-ministro, acrescentando que os detalhes da «discriminação positiva» serão discutidos com os parceiros sociais.

«Teremos de ter o cuidado na modelação da medida - ou através de um crédito fiscal ou através da diferenciação da própria taxa - para garantir que os vencimentos mais baixos não são afetados», insistiu, acrescentando que tudo fará para que a «modelação da medida seja feita antes da entrega do Orçamento do Estado para 2013».

Já sobre o documento, que será apresentado a 15 de outubro, e questionado sobre se teme o apelo de Ferreira Leite, que pede aos deputados para decidirem segundo a sua consciência, o primeiro-ministro respondeu que «seria uma tragédia se o orçamento não fosse aprovado».

«Criaremos uma forma de discriminar positivamente quem tem rendimentos mais baixos, senão seria tão injusto como a desvalorização cambial», ocorrida na anterior intervenção do FMI, em Portugal, em 1983. Passos Coelho recordou esta medida, no tempo em que era primeiro-ministro Mário Soares: «Coitado, deu a cara por esta medida, teve de a implementar, mas as pessoas perderam 20% do seu poder de compra, foi muito mais grave do que esta desvalorização».

Sobre o coro de protestos, nomeadamente dos empresários que não querem esta medida, Passos Coelho insistiu: «Ninguém acredita que possa ser indiferente reduzir em quase 6% o custo do trabalho».

Já questionado sobre as críticas que foram feitas por Belmiro de Azevedo, o maior empregador depois do Estado, que teme a degradação do poder de compra dos portugueses, com este corte salarial, Passos Coelho respondeu diretamente: «Se Belmiro de Azevedo acha que vai vender menos, que aproveite a vantagem de redução do custo pessoal para baixar os preços e não aos produtores primários».

Mas Passos Coelho assegura que é possível em «vários segmentos da economia garantir essa baixa de preços», como nos CTT, por exemplo, mas também nos «transportes públicos».

«O Estado pode garantir a baixa de preços também indiretamente, através de reguladores, nas empresas sem concorrência».

E com isto, garante, a «redução real dos salários das famílias será menor do que parece».

Quanto ao acordo que pode ser alcançado com os parceiros sociais, relativamente a este medida de aumento da contribuição da Segurança Social dos trabalhadores, que compensam a redução da taxa para as empresas, o chefe do Governo sublinhou que tem demonstrado abertura para, em sede de negociação, encontrar com os parceiros sociais a forma mais adequada».

Questionado sobre se acredita que o acordo concertação social, já alcançado, pode ser quebrado, Passos não acredita que tal possa acontecer e revelou que «ainda ontem foi fechado um acordo para a reforma do setor portuário, com a UGT».

«É a debater que a gente se entende», afirmou ainda, explicando que no primeiro ano de aplicação «o efeito sobre a atividade económica é ligeiro, mas o impacto na defesa do emprego é importante: Portugal arriscava ter quase 17% de desemprego se esta medida não fosse aplicada».

Na entrevista à RTP, Passos Coelho garantia ainda que o
corte de salários e subsídios durará até 2015 e que
Estado poupa mais 250 milhões com PPP já em 2013.

Partilhar
EM BAIXO: Pedro Passos Coelho (Tiago Petinga/Lusa)
Pedro Passos Coelho (Tiago Petinga/Lusa)

Skoda Citigo chega a Portugal
Preços arrancam nos 9.545 euros
Veja as capas dos jornais de hoje
Revista de imprensa deste sábado
Governo: áreas-chave que vão criar emprego em 2013
Ministério da Economia aponta 14 setores que estarão em destaque durante este ano «particularmente difícil»
EM MANCHETE
Governo quer serviços mínimos na greve dos professores
Ministério da Educação garante que existem «todos os instrumentos» para a realização dos exames nacionais, mas sindicatos contestam requisição a 17 de junho
UGT apoia greve geral da Função Pública em junho
Chamar palhaço a Cavaco Silva «teve alguma piada»
PUB