O Estado pagou 8,38 milhões de euros só em comissões para colocar as duas emissões de dívida de médio/longo prazo realizadas este ano, as primeiras desde que pediu ajuda financeira à troika.

De acordo com uma resposta da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) a um requerimento feito pelo líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, o Estado pagou pela emissão de 2,5 mil milhões de euros em dívida a cinco anos realizada a 23 de janeiro, 3,125 milhões de euros em comissões, o equivalente a 0,125%.

A taxa de juro do cupão anual a pagar aos investidores é de 4,35%.

Os bancos responsáveis pela colocação desta emissão foram o Barclays, o BES, o Deutsche Bank e o Morgan Stanley.

Já quanto à emissão realizada a 07 de maio, quando foram colocados três mil milhões de euros em dívida a dez anos, o Estado pagou 5,25 milhões de euros em comissões apenas, o equivalente a 0,175%.

A taxa de juro do cupão anual a pagar a quem investiu nesta dívida é de 5,75%.

Os bancos responsáveis por esta emissão foram o Caixa BI, o Citigroup, o Credit Agricole, o Goldman Sachs, o HSBC e o Societe Generale.

Estas foram as duas primeiras emissões de linhas de Obrigações do Tesouro desde abril de 2011, altura em que Portugal pediu ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia, levando os responsáveis governamentais a dizer que com estas emissões Portugal estava de regresso em pleno aos mercados de dívida pública de médio/longo prazo.

O valor das comissões não foge à média praticada em outras emissões de médio/longo prazo, de acordo com os dados fornecidos pelo IGCP.

No total das 13 linhas sindicadas dos quais o IGCP disponibiliza dados na resposta ao BE, terão sido pagas comissões aos bancos na ordem dos 62 milhões de euros pela colocação inicial no mercado de cerca de 40 mil milhões de euros em dívida a médio/longo prazo.

As taxas das comissões aplicadas às emissões variam entre um mínimo de 0,125% e 0,275%.