Chegados a 2014 com o possível vislumbre do almejado «milagre económico«, o país vê-se num dilema: programa cautelar ou saída «à irlandesa»?

No fundo, traduzido por miúdos, a situação é simples. Estamos a viver em casa de um padastro pelo qual não nutrimos afecto e que nos condiciona o que fazer mas que, mal ou bem, nos paga a mesada. Mas, parece que agora a maré está para mudar e somos capazes até de ter sorte em nos aventurarmos sozinhos, diz-se que até estamos capazes de arranjar um emprego e tudo, lá para Maio... Agora a dúvida: alugamos um apartamento e fazemo-nos à vida ou ficamos mais um ano à guarida dos nossos «protectores»? Dum lado, temos a liberdade de fazer o que nos apetece, com a motivação extra dessa independência, e ainda nós podemos gabar ao nosso vizinho Zé Povinho, de como somos os maiores e fazemos tudo de maneira extremamente competente. Do outro lado, parece um falhanço que fica sempre mal naquela conversa com a miúda gira do bar.

Venha mil vezes a vergonha de dizer que ainda não somos independentes!! Não só porque corremos o risco de só encontrar apartamentos com rendas altíssimas (leia-se «investidores que exigem juros incomportáveis»), mas também porque o nosso mal-amado padastro sempre nos obriga a arrumar bem a casa (leia-se «prosseguir com reformas estruturais»). Um dos maiores bens nesta vida é o auto-conhecimento. E eu tenho cá para mim que nós vamos conhecendo o suficiente para perceber que às vezes precisamos de um apoio e de um safanão de fora que nós façam arrepiar o passo.

*Aluno de Mestrado na Nova School of Business and Economics