A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque avisou esta quinta-feira as forças políticas que «está em causa a permanência de Portugal no euro e na União europeia».

«Portugal pode escolher a responsabilidade ou a irresponsabilidade. Pode aceitar a exigência do presente e alcançar um crescimento sustentado ou ceder à tentação de voltar ao facilitismo do passado. Pode concluir a transformação necessária para participar na área do euro ou negar de vez o projeto europeu. As forças políticas devem ter presente os compromissos que assumiram no passado, em particular, ter em mente que está em causa a permanência de Portugal no euro e na União Europeia», começou por dizer Maria Luís Albuquerque.

A ministra - que discursava durante o debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), no Parlamento - acrescentou que «as opções têm custos e repercussões. Os portugueses merecem a verdade e transparência nestas consequências», disse.

«No imediato, a alternativa do incumprimento parece para alguns mais apelativa mas significaria desperdiçar os sacrifícios dos últimos dois anos e ignorar os sinais de recuperação que se têm vindo a manifestar», reforçou.

Maria Luís explicou, depois, que «a incerteza dos últimos dias coloca em risco o caminho já percorrido» no plano económico e financeiro e advertiu que «a credibilidade e a confiança» externas podem perder-se «muito rapidamente».

«Todos os dados recentes contradizem os receios de uma espiral recessiva, de facto, a recessão está a abrandar a cada mês que passa, multiplicam-se os sinais positivos e há mesmo a indicação de que no último trimestre se tenha registado crescimento positivo, ténue ainda, mas já positivo, e é perante tais sinais que pensamos desistir, agora?», questionou.

«Relançar investimento» para iniciar recuperação

A ministra das Finanças apontou ainda como prioridade para 2013 «relançar o investimento produtivo e dar início à recuperação da atividade económica», para a «criação de mais e melhores empregos».

«Muito já foi feito, mas há muito por fazer, ainda em 2013 a prioridade é relançar o investimento produtivo e dar inicio à recuperação da atividade económica, a prioridade é esta porque abre caminho à criação de mais e melhores empregos, o desemprego é um custo social pesado que não podemos aceitar», afirmou.

Albuquerque falou também de uma «nova fase» em que Portugal «pode centrar os esforços na produção do crescimento».

«O esforço de consolidação orçamental tem sido significativo, em termos estruturais, dois terços do ajustamento estão já concluídos, o cumprimento de todos os limites fixados para a dívida e para o défice contribuiu para a acumulação de credibilidade e confiança junto dos nossos credores», referiu.

Para a ministra, o cumprimento do programa tem permitido «uma recuperação gradual do financiamento: em maio, a emissão de dívida a dez anos demonstrou como o processo de regresso aos mercados estava mais avançado do que o previsto».

«A transformação estrutural está a criar bases necessárias para uma economia mais aberta e competitiva e dinâmica», advogou, apontando alterações promovidas pelo executivo nas áreas da justiça, do mercado de trabalho, ao nível das privatizações ou na criação de condições para melhorar a atividade empresarial.

«A última fase do ajustamento português corresponde à transição para o crescimento sustentado e criador de emprego, esta fase exige o cumprimento da estabilidade financeira e a sustentabilidade das finanças públicas», rematou.