O coordenador da Federação Sindical da Administração Pública (FESAP), Nobre dos Santos, disse esta quarta-feira que não aceitará o corte médio de 10% que o Governo quer impor aos pensionistas do Estado, mas sugeriu que as pensões mais elevadas tenham cortes mais elevados.

A ideia, segundo explicou Nobre dos Santos, é que as pensões mais elevadas possam ter cortes superiores a 10% para que as pensões mais baixas sejam, no atual contexto de crise, menos penalizadas.

À saída de uma reunião de duas horas com o secretário de Estado, Hélder Rosalino, o sindicalista disse que o governante manifestou «alguma abertura» para que houvesse um «reposicionamento das pensões», nomeadamente entre as pensões de mais alto valor, mas sublinhou que se trata apenas de uma sugestão que terá que ser trabalhada nas próximas reuniões.

«Não aceitamos que nesta altura haja descontos para os trabalhadores pensionistas e não aceitamos que os trabalhadores pensionistas sejam sancionados pelas posições do Governo. Acontece, no entanto, que o Governo continua a insistir no seu ponto de vista, nos estamos bem distantes das posições do Governo», disse aos jornalistas.

«Duvido que haja posições de convergência. O que o Governo pretende e que os sindicatos sirvam de almofada às posições políticas do Governo», sublinhou ainda.

Hélder Rosalino debaterá também hoje com a Frente Comum e o Sindicato dos Quadros Técnicos do estado (STE) as propostas do Governo para garantir a convergência dos sistemas público e privado de pensões.