O Fundo Monetário Internacional (FMI) refere esta quarta-feira, no seu relatório sobre a décima avaliação ao programa de assistência financeira português, que o ajustamento externo em Portugal está a ser feito à custa de dois fatores que são «potencialmente insustentáveis»: compressão das importações e crescimento das exportações de combustíveis.

«O ajustamento externo tem sido conseguido, em larga parte, devido à compressão das importações de bens que não sejam combustíveis e, ultimamente, ao crescimento das exportações de combustíveis», refere o relatório da instituição.

E um dia depois de Paulo Portas ter dito que as exportações são «o porta aviões da recuperação económica», o FMI alerta que, no curto prazo, a mudança nas contas externas observada nos últimos anos «pode parcialmente ser revertida se a compressão das importações e o aumento das exportações de combustíveis se alterarem abruptamente».



«Esta dependência da compressão de importações de não-combustíveis e da exportação de combustíveis arrisca enfraquecer os ganhos conseguidos até à data, assim que as importações recuperarem de níveis anormalmente baixos e as unidades de refinação eventualmente esgotem a sua capacidade extra, ao mesmo tempo que a melhoria na exportação de serviços é vulnerável a choques à procura de turismo», sustenta.

Recorde-se que o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse na terça-feira que as exportações são «o porta-aviões da recuperação económica», e brindou, literal e repetidamente, às exportações portuguesas no salão internacional do setor alimentar e bebidas.

«As exportações estão a ser o porta-aviões da recuperação económica no nosso país», declarou aos jornalistas no final de uma visita ao SISAB, o salão internacional do setor alimentar e bebidas, que decorreu em Lisboa.