Foi uma quarta-feira negra nas bolsas e no mercado da dívida. A crise política em Portugal, desencadeada pela demissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas do Governo, provocou um crash na praça nacional e levou os juros - negociados no mercado secundário - a superarem a fasquia problemática dos 8%.

Os mercados não gostaram da incerteza em que Portugal está envolto e provaram-no. O PSI20 derrapou 5,31 por cento para 5.236,49 pontos, recuando para valores de novembro do ano passado. Foi o índice que mais desvalorizou em toda a Europa. Ao todo, a bolsa portuguesa perdeu 2.650 milhões de euros (em capitalização bolsista) no espaço de 24 horas.

O pânico infiltrou-se entre os investidores logo pela manhã, depois dos alertas de alguns bancos e casas de investimento internacionais, que apontam para uma queda do Governo nas próximas horas. Se tal acontecer, o país será pressionado a pedir um segundo resgate, já que o regresso de Portugal aos mercados está comprometido.

A derrapagem de 40% do Banif pela manhã pôs todos os jornais internacionais a falar de Portugal: pelos piores motivos e, no fecho, a banca - mais exposta às questões da dívida pública - foi mesmo o setor mais castigado.

O Banif afundou 14,1% para 0,079 euros, o BCP tombou 12,9% para 0,081 euros, o BES escorregou 10,9% para 0,545 euros e o BPI desceu 8,44% para 0,825 euros, no mesmo dia em que os juros da dívida a 10 anos (no mercado secundário) agravaram-se até aos 8,05%. Já na maturidade a 5 anos chegaram a superar os 7% e a 2 anos estiveram próximos dos 6,5%.

Os analistas de mercado alertam para as «vendas em massa das obrigações portuguesas» e garantem que os investidores domésticos (nacionais) estiveram «entre os vendedores mais ativos». No fundo, «começaram a desfazer-se das obrigações».

Entre as 20 empresas cotadas, metade fechou a perder entre 6% e 14%. Foi o caso da Portucel (-6,09%), EDP (-6,37%), Sonaecom (-8,18%), Mota-Engil (-9,32%) e Sonae Indústria (-10,36%).

Já a Sonae, Altri e Cofina desceram mais de 5%.

Entre os pesos pesados, nota ainda para a Portugal Telecom (PT) que desvalorizou 4,38% para 2,792 euros.

A Galp Energia, por seu turno, recuou 2,17% para 11,250 euros, na mesma linha da Jerónimo Martins (-2,24%).