A Universidade Católica estima que a economia portuguesa tenha crescido 0,6% entre abril e junho, face ao trimestre anterior, após dez trimestres consecutivos de quebra, mas mantém a previsão de contração de 2,4% em 2013.

O Núcleo de Estudos de Conjuntura sobre a Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, calcula que a economia portuguesa terá registado um crescimento em cadeia de 0,6% no segundo trimestre deste ano, apesar de ter contraído 2,5% em termos homólogos.

«A concretizar-se a estimativa do NECEP, a economia portuguesa terá interrompido um período de dez trimestres consecutivos de quebra do PIB [Produto Interno Bruto]. A melhoria da atividade económica é extensiva à generalidade dos indicadores, embora com destaque evidente para a atividade exportadora», lê-se no boletim do NECEP hoje divulgado.

No documento, os economistas do NECEP dão ainda conta de que o consumo e o investimento apresentaram «sinais favoráveis» no segundo trimestre deste ano, considerando que este é «um aspeto animador, mas que deve ser interpretado ainda com bastante prudência».

Quanto à taxa de desemprego, o NECEP estima que se tenha mantido nos 17,7%, em linha com o registado no primeiro trimestre do ano.

O NECEP manteve ainda as previsões anteriores, estimando que a economia contraia 2,4% em 2013, mais uma décima do que estima o Governo, e que em 2014 caia 0,4%, mais duas décimas do que calcula o Executivo, argumentando estes números com o «contexto de elevada incerteza e de risco acrescido».

«O crescimento económico em 2013 e 2014 continuará muito dependente da conjuntura externa e, em particular, da crise das dívidas soberanas na zona euro. A erupção da crise política nacional veio acentuar significativamente os riscos negativos, ainda que as suas consequências concretas sejam difíceis de projetar em toda a sua extensão, até porque dependerão largamente da solução encontrada e do desempenho do 'novo' Governo, designadamente na sua relação com os credores institucionais», alertam os técnicos do NECEP.

O organismo aponta ainda o agravamento das taxas de juro da dívida pública observado a partir de junho, os efeitos preliminares da crise política sobre a confiança e o risco cobrado no mercado da dívida e considera que «serão inevitáveis esforços adicionais de redução do défice em 2013 e 2014».

O NECEP destaca também «a insuficiência do Orçamento Retificativo» em matéria de consolidação das contas públicas e alerta que, considerando o atual cenário político, o défice de Portugal poderá ser «claramente superior a 5,5% em 2013», sendo necessário «um esforço adicional de correção do desequilíbrio orçamental em 2014».

Durante a sétima revisão ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), a última conduzida por Vítor Gaspar à frente do Ministério das Finanças e a mais longa desde que a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) chegou a Portugal, foi acordada a dilatação das metas para o défice orçamental, tendo o país sido autorizado a ter um défice de 5,5% este ano.