O banco central alemão, Bundesbank, defendeu esta segunda-feira a aplicação de um imposto sobre o património privado nos Estados-membros que arriscam o incumprimento, em detrimento do recurso a um programa de resgate financeiro.

Tal imposto «corresponde ao princípio da responsabilidade nacional, segundo a qual os contribuintes são responsáveis pelas obrigações dos respetivos governos, antes de reclamarem a solidariedade de outros Estados», defende o banco central alemão no relatório de janeiro divulgado esta segunda-feira.

Todavia, o Bundesbank reconhece que a implementação desta taxa é difícil e arriscada, sublinhando que o recurso a este imposto deve ocorrer em situações excecionais, como a necessidade de evitar que um Estado entre em incumprimento.

No início de outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu também a instauração de uma taxa excecional sobre a riqueza privada para ajudar ao cumprimento dos défices públicos antes do recurso ao financiamento externo.

No seu relatório semestral sobre a dívida pública, publicado a 09 de outubro, os especialistas do FMI consideravam que tal imposto teria «fortes» possibilidades de sucesso se fosse aplicado em situações excecionais.

Duas semanas depois de conhecido o relatório do FMI, um porta-voz da instituição afirmou que o Fundo «não recomendava a implementação de um imposto sobre a riqueza» e que se tratava, apenas, de um trabalho de análise, como regista a Lusa.