O presidente do Banco Central Europeu afastou esta quinta-feira o cenário de uma subida nas taxas de juro de referência durante um «extenso período de tempo» e garante que a política monetária continuará flexível enquanto for necessário.

«O conselho de governadores espera que as principais taxas de juro do BCE continuem nos presentes níveis ou mais baixos por um extenso período de tempo», afirmou Mario Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à reunião mensal do BCE para decidir sobre as taxas de juro de referência, que se mantêm nos níveis do mês passado, já em si historicamente baixos.

O líder explicou que na base desta decisão estão previsões de uma inflação controlada no médio prazo.

Para além disso, Mario Draghi diz que houve uma «extensa discussão sobre a possibilidade de cortar a taxa de juro».

A taxa de juro para as principais operações de refinanciamento, o mecanismo ao abrigo do qual o BCE fornece a maior parte da liquidez ao sistema bancário, foi reduzida de 0,75% para 0,50% ainda em maio, e foi hoje mantida nesse nível, tal como a taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez (através da qual fornece liquidez de muito curto prazo aos bancos, empréstimos overnight), que permanece nos 1% e a taxa de depósitos nos 0%.

Sobre a possibilidade das taxas de juro sobre os depósitos que a instituição aceita passarem a níveis negativos, para desincentivar ainda mais os bancos a parquearem o dinheiro no BCE ao invés de o emprestar, o discurso do BCE continua a ser de que têm a mente aberta e estão preparados tecnicamente para o fazer, mas não há decisão sobre o tema.

Sobre a economia da zona euro, a expectativa da instituição é que a atividade económica estabilize e comece a recuperar no decurso deste ano, apesar de ainda em níveis baixos, observando ainda riscos negativos às perspetivas económicas da região da moeda única.

Um dos riscos que Mario Draghi apontou hoje é precisamente a lentidão na aplicação das reformas estruturais necessárias em alguns países da zona euro, ou mesmo a insuficiências nessas reformas.

«A economia ainda está a cair, mas está a cair a um ritmo mais lento», disse.