O economista da OCDE responsável pela economia portuguesa afirmou à Lusa que um chumbo do Tribunal Constitucional a medidas previstas no Orçamento de 2014 «ia dificultar ainda mais» a consolidação orçamental e penalizar os juros da dívida.

«Acho que ia seguramente tornar o caminho da consolidação orçamental mais difícil», afirmou Jens Arnold, responsável pelo departamento de Portugal na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Referindo que, no passado, o Governo teve de encontrar medidas alternativas para compensar as que o Tribunal Constitucional chumbou, o economista entende que, «se isso acontecesse agora, ia ser ainda mais difícil» cumprir as metas orçamentais.

Além disso, Jens Arnold destaca que um chumbo a medidas previstas no Orçamento do Estado para 2014 iria «levantar riscos de confiança» [nos mercados] e poderia «ter um efeito nas taxas de juro».

Outro risco que a OCDE aponta à evolução da economia portuguesa prende-se com a situação política do país, sobretudo tendo em conta a «turbulência política» aquando da remodelação no verão passado.

«Vimos alguma turbulência política com a remodelação dos ministérios. Por princípio, isso não ajuda a solidificar a confiança dos mercados. Isso ilustrou algumas tensões políticas existentes. Por agora, essas tensões estão controladas, foi encontrada uma solução. Mas demonstrou que há uma possibilidade de riscos políticos no contexto atual», disse Jens Arnold.