Os espanhóis da Alsa não estão nada satisfeitos com a decisão do Governo português, de reverter as concessões dos transportes de Lisboa e Porto. O grupo, que tinha vencido o concurso para os STCP do Porto, diz que não vai aceitar a decisão de braços cruzados.
 
Em declarações citadas pelo semanário Expresso, o diretor de desenvolvimento de operações internacionais da ALSA, Rubén Prada, deixa o aviso:
 

“Isto é um sinal muito mau para o investimento estrangeiro em Portugal. O Governo de Portugal não pense que isto não vai ter custos. Não pense que os encargos com esta decisão se vão ficar por devoluções de cauções! Vai ter custos, e muitos!”

 
Se não é, parece uma resposta direta às declarações do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, proferidas na última quinta-feira, depois do Conselho de Ministros, onde foi tomada a decisão de reversão.
 

“Não estão em jogo indemnizações. As indemnizações só poderiam ser devidas após um visto do Tribunal de Contas, o que nunca aconteceu. E a nossa forte expetativa - sendo que Portugal é um Estado de Direito, e as coisas se podem discutir noutro foro - é que não haverá lugar a indemnizações a pagar”.

 
“Naturalmente que as empresas prestaram uma caução, caução essa que terá de lhes ser devolvida - teria sempre de ser devolvida no final dos contratos - e que será devolvida assim que uma decisão, que está tomada, seja formalizada, o que tem alguma especificidade jurídica, e poderá demorar mais um mês, sensivelmente”.
 
A decisão do Governo está a causar também algum mal-estar diplomático, com as representações diplomáticas do México e do Reino Unido a manifestarem formalmente o seu desagrado. A ALSA é controlada pelo grupo britânico Express, e a casa mãe da Avanza, que tinha vencido o concurso da Carris e do Metro de Lisboa, é o grupo mexicano ADO.