A companhia de aviação Air France disse hoje que deverá conseguir assegurar 75% dos seus voos na quinta-feira, depois de vários sindicatos terem convocado uma greve para exigir aumentos salariais de 6%.

Em comunicado, citado pela Efe, a companhia aérea diz que as suas previsões de que apenas um quarto dos voos serão afetados, baseiam-se na taxa de 28% dos trabalhadores que declararam que iriam fazê-lo.

De acordo com a companhia aérea, os maiores problemas deverão concentrar-se nos voos de longo curso (mais de quatro horas), desde o aeroporto de Charles de Gaulle, onde se prevê a supressão de metade dos voos.

Nas ligações aéreas de distância média - destinos europeus e bacia mediterrânica - deverão cancelar-se 25%.

Por último, nos voos domésticos, deverão ser supridas 15% das ligações.

A Air France, que numa jornada normal opera com 1.200 voos, admitiu ainda a possibilidade de "perturbações e atrasos", afirmando que fará o possível para "minimizar" as consequências da greve junto dos seus clientes, apelando, no entanto, para que estes confirmem o estado do seu voo antes de se deslocarem para o aeroporto.

A companhia aérea francesa aconselhou ainda os clientes com reservas para o dia de amanhã para que modifiquem o seu bilhete, sem custos. Ainda assim garante que os passageiros afetados por cancelamento de voos serão reembolsados pelo valor pago pelo bilhete.

Vários sindicatos da Air France convocaram uma greve para quinta-feira e pediram a pilotos, pessoal de cabine e de terra para a respeitarem, exigindo um aumento salarial de 6% depois dos bons resultados da companhia aérea.

Está prevista uma concentração na quinta-feira de manhã em frente à sede da companhia, em Roissy, perto de Paris, onde deverá ter lugar uma reunião que abordará os resultados financeiros de 2017.

Os sindicatos consideram, no entanto, que o local da reunião pode mudar, para evitar que se repitam os incidentes de outubro de 2015.

Nessa ocasião, trabalhadores da Air France entraram na sede do grupo e agrediram membros da direção, quando estava a ser apresentada uma reestruturação que previa a eliminação de perto de 3 mil postos de trabalho em dois anos.

A greve de quinta-feira é mais um episódio do processo de negociações salariais para 2018, encerrado após duas sessões agitadas, com a administração a presentar uma proposta de acordo que prevê um aumento, o primeiro desde 2011, de cerca de 1%.

A proposta foi rejeitada pela maioria dos sindicatos e decidida de forma unilateral pela empresa.

As organizações que convocaram a greve consideram a proposta "uma esmola" que "não permite compensar o aumento do custo de vida nem recuperar os salários congelados desde 2011". Pedem um aumento geral de 6%, argumentando que a empresa teve bons resultados financeiros.

O grupo Air France-KLM teve um lucro operacional de 1.488 milhões de euros em 2017, 588 milhões dos quais destinados à parte francesa.

O presidente da Air France-KLM, Jean-Marc Janaillac, disse ao jornal Le Monde que as reivindicações dos sindicatos "não são razoáveis".

O custo global desse aumento representaria cerca de 240 milhões de euros, ou seja, praticamente o preço de dois Boeing 787", declarou.