Praticamente metade das empresas, em Portugal, prevê contratar mais pessoal este ano e no próximo. Para quem não tem e está à procura de trabalho e para quem tem mas quer um novo desafio, é hora de arregaçar as mangas. A Mercer levou a cabo um estudo sobre o assunto, incluindo benefícios e compensações aos trabalhadores, que permite traçar um retrato do mercado de trabalho.

Foram analisados 160.232 postos de trabalho em 305 empresas do mercado português, entre multinacionais (54%, sendo que as estrangeiras têm sobretudo origem nos EUA e em França), empresas nacionais privadas (45%) e uma minoria de empresas nacionais públicas (1%). 

Como o grosso do tecido empresarial português são PME, um ponto importante é que 83% da amostra diz respeito precisamente a pequenas e médias empresas com um quadro de pessoal inferior a 500 colaboradores. 

Representam vários setores de atividade, desde serviços, indústrias, bens de consumo, tecnologia e telecomunicações, grande distribuição ou serviços financeiros. Vamos então às principais conclusões.

Contratos

49% das empresas prevê aumentar o seu efetivo de colaboradores este ano

44% refere a intenção de manter o número de colaboradores

7% admite reduzir as equipas

Salários

5% optou por congelar os salários para toda a estrutura em 2016 (22% em 2015)

Revisões salariais realizadas tipicamente uma vez por ano (88%),

maioritariamente em março (36%) e abril (27%);

Fonte: Estudo Mercer - Mercer Total Compensation Portugal 2016

 

O ambiente cada vez mais competitivo e seletivo nas empresas origina, como consequência, uma necessidade de, por um lado, rentabilizar os recursos existentes e, por outro, identificar os melhores talentos que garantam a prossecução e a consecução dos objetivos estratégicos a que se propõem, procurando retê-los e motivá-los.

O Estudo da Mercer indica que o salário-base anual dos recém-licenciados, no seu primeiro emprego, situa-se tendencialmente entre os 13.057 € (1088 euros/mês) e os 17.984 € (1.498€/mês), o que se traduz aumento no valor mínimo face ao ano anterior. 2015 alcançou mínimos de referência de 11.950€ (995€/mês).

Fatores para atribuição de aumentos salariais

Avaliação individual (79%)
Resultados da empresa (72%)
Antiguidade e o nível funcional são os menos influentes
Direção Geral e Operários são o único setor em que não se esperam atualizações em 2017

Benefícios concedidos aos trabalhadores

Plano Médico (93%)

59% dos casos extensível aos familiares (cônjuge e filhos)

Inclui coberturas de hospitalização, parto, medicamentos, assistência ambulatória, estomatologia, próteses e ortóteses

Em 77% das organizações, totalmente suportado pela empresa, mas quando extensível à família sujeito a comparticipação do colaborador 

Complementos de Subsídio de Doença (37%)

Na maioria das empresas, o valor pago não ultrapassa os 35% do salário base.

Tipicamente as empresas que concedem este benefício não fazem discriminação por antiguidade ou por outro critério, atribuindo-o de igual modo a todos os colaboradores (94%).

59% das empresas inquiridas (menos 4% do que em 2015) assegura o pagamento dos três primeiros dias de baixa não comparticipados pela Segurança Social.

Telemóvel

plafond mensal pago desceu, em termos médios, face ao ano passado, estando agora em 45€. 

Automóvel

91% dos inquiridos atribui, para uso profissional e pessoal

Férias, outros benefícios e educação

57% das empresas concede dias de férias extra (além do regulamentado por lei), menos 8% em relação a 2015

15% pagam as quotas dos colaboradores em alguma associação profissional (menos 14% face a 2015)

10% pagam a mensalidade de alguma atividade desportiva

35% asseguram despesas associadas à educação dos colaboradores (em média em cerca de 73% do custo total), estabelecendo em alguns casos um valor máximo limite

31% atribuem subsídio escolar aos filhos dos colaboradores

13% concede subsídios de creche.

Empréstimos / Adiantamentos

 

27% referem que concederam empréstimos/ adiantamentos aos colaboradores, com as seguintes finalidades. Um aumento face aos 24% apresentado em 2015:

Seguro de Acidentes Pessoais e de Vida

Em 51% dos casos com cobertura de assistência médica fora do país, roubo de bagagem, sinistros graves catástrofes naturais, entre outros.

Na maioria dessas empresas o capital seguro é variável, tendo maioritariamente como referência o Salário Base (88%).

Seguro Vida (76%): coberturas complementares à cobertura de morte, particularmente invalidez (85%), morte em caso de acidente (86%) e invalidez em caso de acidente (82%)

Plano de Pensões

44% concede, variando entre Benefício Definido (32%), planos mistos (28%) e de Contribuição Definida (40%). Nos dois primeiros, maioria não prevê a atribuição de direitos adquiridos aos colaboradores antes da idade da reforma.

Cerca de 30% dos planos prevê a antecipação da idade normal de reforma, entre os 50 e 60 anos.