O plano de reestruturação do Novo Banco implica a saída de 1.000 funcionários já este ano, dos quais 500 trabalhadores devem deixar a entidade no âmbito de um despedimento coletivo, informou esta quinta-feira a comissão de trabalhadores do banco.

"No seguimento do plano de reestruturação imposto pela União Europeia e que já se encontra em curso, o Banco terá que reduzir em 2016, cerca de 1000 postos de trabalho, sendo suposto que 500 sejam através do recurso a um despedimento coletivo", disse a comissão de trabalhadores, num comunicado interno a que a TVI teve acesso. 

 

 

 

A Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT) do Novo Banco acrescenta, no mesmo documento, que está à espera de ser informada "brevemente" dos critérios a serem utilizados, bem como "das estruturas que poderão vir a encerrar".

Reunida com a direção, a CNT informou que não aceita nem pactua, "de forma alguma, com despedimentos coletivos" no banco.

"Vamos lutar até ao limite das nossas forças pela manutenção de todos os postos de trabalho e pela manutenção dos direitos adquiridos."

 

"Solicitamos a todos os trabalhadores que não assinem qualquer documento, sem previamente consultarem a CNT ou o seu Sindicato."

A comissão de trabalhadores volta a defender a nacionalização do Novo Banco, considerando-a a "decisão mais justa e correta".

"Vamos novamente solicitar audiências ao Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças, Ministro do Trabalho, Governador do Banco de Portugal e Grupos Parlamentares a manifestar o nosso absoluto repúdio com esta tentativa de despedimento coletivo."

Os trabalhadores adiantam que vão continuar a lutar "por outra solução" e pela suspensão da medida que prevê o despedimento de um total de mil funcionários. 

No ano passado, o Novo Banco cortou o número de colaboradores em 411 para 7.311 funcionários e reduziu 40 agências para um total de 635, de acordo com os números apresentados na quarta-feira pela instituição durante a divulgação das contas de 2015.

O número de trabalhadores no mercado doméstico baixou para 6.571 colaboradores no ano passado, menos 261 do que em 2014, e foram encerradas 35 agências para um total de 596 em Portugal.

Já na atividade internacional o quadro de pessoal foi reduzido em 150 trabalhadores para um total de 740 e o número de balcões baixou para 39, menos cinco do que em 2014.

Mas a redução da capacidade instalada do banco, quer em Portugal, quer no estrangeiro, não fica por aqui, segundo o líder da entidade, Eduardo Stock da Cunha.

"Desde janeiro temos vindo a falar com alguns colaboradores da casa sobre a sua saída. Por respeito institucional, vamos propor primeiro [o plano de redução de efetivos] às estruturas de trabalhadores e aos sindicatos, bem como às autoridades relevantes, antes de o anunciar publicamente", assinalou Stock da Cunha.

O gestor falava durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do Novo Banco em 2015, marcados por um prejuízo de 980,6 milhões de euros.