Os municípios portugueses perderam 16.053 trabalhadores, ou seja, 10,78% desde o início de 2011 e até ao fim de 2013, de acordo com dados disponibilizados pelo Governo no Portal da Transparência Municipal.

No final de 2010, de acordo com a mesma fonte, os 308 municípios do país tinham um total de 148.909 trabalhadores e, no final de 2013, os mesmos municípios empregavam 132.856 funcionários.

Há uma diferença de 16.053 funcionários, que correspondem a menos 10,78%.

No final de 2010, a região Norte tinha 46.995 funcionários municipais, o Centro 32.358, Lisboa 33.648, o Alentejo 18.321, o Algarve 10.737, os Açores 3.269 e os municípios da Madeira empregavam 3.581.

Em 2013, o Norte acabou o ano com 41.315 trabalhadores nos municípios, o centro com 28.114, a região de Lisboa com 31.187, o Alentejo com 16.433, o Algarve com 9.227, os Açores com 3.161 e a Madeira com 3.419.

Estes dados não incluem os trabalhadores do setor empresarial local.

A redução de funcionários nas autarquias foi uma imposição do memorando de entendimento celebrado com a troika, traduzida pelo Governo na obrigação de redução de pelo menos 2% anuais no número dos funcionários da Administração Local e Regional.

Agora, já sem a troika, a proposta de Orçamento do Estado para 2015 (OE 2015) volta a impor a redução de funcionários entre 2% a 3% para os municípios endividados que se encontrem em situação de saneamento ou em rutura financeira.

Desde 15 de outubro e até 30 de junho do próximo ano está a decorrer um programa de rescisões amigáveis na administração local, com condições mais vantajosas para os trabalhadores com menos qualificações.

As indemnizações aos trabalhadores que aceitem rescindir os contratos com as autarquias serão pagas pelos municípios.

Mourão, Alcoutim e Barrancos são os municípios com mais trabalhadores por habitante

Mourão, Alcoutim e Barrancos são os municípios do continente com maior percentagem de funcionários por cada mil habitantes, com mais de 60, quando a média nacional é de 12,66, de acordo com indicadores do Portal da Transparência Municipal.

Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Governo no portal, em www.portalmunicipal.pt, com base em informações das câmaras, no final de 2013 apenas 98 dos 308 municípios tinham, em média, 12 ou menos trabalhadores por cada mil dos respetivos habitantes.

Mais de dois terços dos municípios estavam acima da média nacional de funcionários por habitantes e em 92 câmaras o rácio de trabalhadores por habitante era superior ao dobro da média nacional. No topo da lista dos municípios do continente que mais empregam estavam Mourão, com uma média de 77,42 funcionários para cada mil habitantes, Alcoutim (70,09 funcionários para mil habitantes) e Barrancos (63,41 funcionários para mil habitantes).

No entanto, a campeã de funcionários por número de habitantes era a Vila do Corvo, nos Açores, um 'município-ilha' com características muito próprias, que emprega 47 trabalhadores para cerca de 430 pessoas, o que lhe daria uma proporção de 104,91 funcionários se por acaso tivesse mil habitantes.

Além destes municípios, também Alvito, Monforte, Freixo de Espada à Cinta e Castelo de Vide, por esta ordem, tinham 50 ou mais funcionários para cada mil cidadãos.

No lado oposto da tabela estavam Esposende (com uma média de 5,57 por mil habitantes), Leiria (5,82), Santo Tirso (5,92), Vila Franca de Xira (6,01), Vila Nova de Gaia (6,28), Alcobaça (6,35), Caldas da Rainha (6,66), Valongo (6,75), Sintra (6,90).

Os municípios do Alentejo e de toda a faixa do interior, sobretudo os do norte do país, tinham os maiores índices de trabalhadores por número de habitantes, enquanto os menores correspondiam às câmaras do litoral centro e norte.

A média nacional em 2013 era de 12,66 funcionários municipais por cada mil habitantes.

Em termos absolutos, em 2013 verificava-se uma média de 431 trabalhadores por município, sendo Lisboa, com 9.138, a câmara com mais funcionários e o Corvo, com 47, o que tinha menos.

De acordo com o Anuário dos Municípios portugueses, em 2013 Alcochete, Barrancos, Montijo, Alvito e Redondo eram os municípios que apresentavam maior peso de despesas com pessoal nas despesas totais, num valor superior a 50%.

Os dados disponibilizados permitem verificar uma tendência geral de descida do número de trabalhadores dos municípios desde o final de 2010.

Estes números não incluem dados dos trabalhadores das empresas municipais e consideram todo o tipo de vínculos laborais.