A empresa de telecomunicações brasileira Oi entrou esta segunda-feira com um pedido de recuperação judicial na comarca da capital do estado do Rio de Janeiro para tentar manter a continuidade do negócio, segundo um comunicado da firma.

Segundo o comunicado, o “pedido de recuperação foi ajuizado em razão dos obstáculos enfrentados pela administração da empresa para encontrar uma alternativa viável junto aos seus credores”.

O total dos créditos com pessoas não controlados pela Oi listados nos documentos protocolados com o pedido de recuperação judicial soma, nesta data, aproximadamente 65,4 mil milhões de reais (17 mil milhões de euros)”, salienta a empresa no comunicado.

Foi esta empresa brasileira que ficou, após a cisão da Portugal Telecom SGPS em duas, com a responsabilidade de reembolso a quem investiu em obrigações da PT. A sua situação financeira complicada dificulta o cumprimento de compromissos, nomeadamente para com os obrigacionistas. 

A pouco mais de um mês do confronto com a dura realidade estão os obrigacionistas que investiram em papéis cuja maturidade finda no próximo dia 26 de julho.

Tal como a TVI noticiou, a 1 de junho, o relógio está a contar para a linha de obrigações cujo reembolso ronda os 231 milhões de euros. Na altura da sua constituição, em 2012, eram 400 milhões, que foram subscritos ao balcão por cerca de 20 mil investidores, 18 mil dos quais subscreveram até 50 mil euros cada. Mas em 2015, com a alteração de emitente, a que levou o desmembramento da PT, foi dada aos obrigacionistas a hipótese de venderem e não passarem para a PT Internacional Finance que ficou com estas obrigações e com outras de diferentes maturidades - no total cerca de uma dezena, na maioria obrigações cuja maturidade mais longínqua vence em 2025.

Na semana passada, a Oi emitiu um comunicado dando conta de que falharam as negociações para a renegociação da dívida. E, agora, surge este pedido de recuperação judicial. Mais um fator que pode complicar a recuperação do dinheiro por parte dos obrigacionistas da PT.