O ministro da Economia classificou esta sexta-feira a greve de dez dias dos pilotos da TAP como uma ameaça tremenda à viabilidade e sustentabilidade da transportadora aérea e reafirmou manter o plano de privatização da empresa.

«Volto a apelar ao bom senso dos pilotos» para que recuem na intenção, anunciada quinta-feira, de fazerem uma greve de dez dias, disse Pires de Lima à saída de um encontro, em Lisboa, promovido pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL).

O ministro disse ainda que o impacto da greve «pode ser extraordinariamente duro» quanto à sustentabilidade da empresa e reforçou este temor dizendo que esta forma de luta é uma «ameaça à sustentabilidade [da empresa] tremenda».

Pires de Lima acusou os pilotos de não cumprirem a sua palavra, ao reivindicarem exigências que já tinham ficado afastadas do acordo assinado em finais do ano passado e precisou que a cedência de capital da TAP aos pilotos – uma das razões da greve – foi considerada nula pela Procuradoria-Geral da Republica (PGR) e que «o Governo não pode negociar algo que a PGR disse por escrito que não se pode fazer».

Quanto à questão das diuturnidades e da sua retroatividade, o segundo motivo dos pilotos para a greve, o ministro afirmou: «Não se pensou ou escreveu [no acordo firmado em dezembro do ano passado] que as diuturnidades teriam efeitos retroativos a cinco anos», afirmou, acusando os pilotos de procurarem justificar a greve com questões para as quais já tinham recebido resposta negativa nas negociações do acordo que acabou por ser assinado.

Também Passos Coelho, no debate quinzenal, disse que a greve vai por em causa a empresa «muito rapidamente»

A greve dos pilotos foi aprovada na quinta-feira em assembleia na qual participaram cerca de 500 pilotos da TAP, que mandataram a direção do seu sindicato a emitir um pré-aviso de greve dentro de um dia.

No entanto, os pilotos manifestam no documento «a sua disponibilidade para desconvocar a greve no exato momento em que sejam assegurados de forma inequívoca os direitos» que consideram não estar a ser respeitados.

Num comunicado emitido na semana passada, a direção do SPAC informou que «o processo negocial entre o SPAC, a TAP e a PGA, no âmbito do compromisso subsidiário do acordo ratificado com o Governo em 23 de dezembro de 2014 chegou a um impasse insanável, por motivos estritamente imputáveis à TAP, à PGA e ao Governo».

Em causa, estão as pretensões dos pilotos sobre as diuturnidades e sobre a obtenção de 20% do capital da companhia aérea, aquando da sua privatização, que deverá estar concluída até ao final desta legislatura.
Os candidatos à compra do grupo TAP têm que entregar as propostas vinculativas até às 17:00 de 15 de maio.