O ministro da Economia admitiu este domingo que com o fim da ligação aérea Porto/Milão da TAP as empresas de calçado, que ali se deslocam para a maior feira mundial do setor, terão de fazer “um esforço adicional”.

“É sempre mau pedir às empresas um esforço adicional, mas elas fazem um esforço adicional e chegaram cá”, afirmou Manuel Caldeira Cabral, hoje em visita à feira do calçado MICAM em Milão.

Questionado por diversas vezes pelos jornalistas sobre o fim dos voos da TAP entre Porto e Milão e o seu impacto para os empresários do setor do calçado, maioritariamente instalados no Norte do país, o ministro respondeu: “as preocupações com o setor são várias, as ligações ao exterior são uma preocupação importante e pela qual estamos a lutar”.

“O Governo não quis deixar os seus créditos por mãos alheias e interveio no caso da TAP para tentar, dentro do possível, garantir que são acautelados os interesses nacionais”, acrescentou.

O ministro aproveitou para lembrar que “o setor do calçado está a exportar e vai continuar a exportar”, referindo que há um número recorde de empresas na feira de Milão, muitas das quais do Norte.

Apesar do esforço assumido, Manuel Caldeira Cabral salientou a vontade de “facilitar a vida às empresas” e não criar “novas dificuldades”.

“Queremos facilitar a vida às empresas, dar-lhes melhores condições para operarem e dar-lhes também condições para evoluírem na inovação, na tecnologia e na qualificação da mão-de-obra porque é por esse caminho que se cria mais valor”, realçou.

Aquela que é a maior feira do calçado do mundo conta com a participação de 95 empresas portuguesas (a maior presença de sempre), responsáveis por 500 milhões de euros em exportações.

 

Impacto do preço dos combustíveis nas exportações

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, disse também que o aumento do preço dos combustíveis não vai afetar a competitividade do setor do calçado que, pelo contrário, está a beneficiar da queda do Euro.

“Não me parece que vá, por essa via, haver perda de competitividade do setor, pelo contrário. O que vemos é um setor com muita vitalidade, muita competitividade, que está neste momento também a beneficiar do Euro estar mais baixo para exportar e entrar em novos mercados”, afirmou o governante.

Manuel Caldeira Cabral acrescentou que “os combustíveis baixaram muito no último ano e o aumento da tributação sobre os combustíveis vai ter um ligeiro acréscimo no preço”.

“Exatamente para não prejudicar as indústrias exportadoras, o que se colocou foi uma majoração que vai facilitar às empresas transportadoras compensar esse aumento da tributação sobre o efeito petrolífero”, declarou o governante.

Segundo Caldeira Cabral, “o efeito nas exportações e transportadoras vai ser por essa via anulado”.