O ministério de Economia propôs a criação de um grupo de trabalho, chefiado por Sérgio Monteiro, caso a TAP cancele a greve marcada para 27 de dezembro, anunciou Pires de Lima à saída da reunião com a plataforma dos sindicatos.

«O ministério da economia abriu a possibilidade, mediante cancelamento da greve, de se constituir um grupo de trabalho liderado pelo secretário de estado, Sérgio Monteiro, da parte do ministério de economia, que procure trabalhar esses pontos de preocupação dos trabalhadores. Foi essa a proposta que deixamos».

«Da parte da plataforma sindical foi-nos dito que a resposta nos será dada segunda-feira», afirmou Pires de Lima.


Os representantes dos vários sindicatos não quiseram prestar quaisquer declarações aos jornalistas e remeteram uma tomada de posição para um comunicado que será divulgado ainda hoje.

«Privatização da TAP não está nem pode estar em causa»

Pires de Lima reconheceu que as preocupações dos trabalhadores são «legítimas», mas reiterou que «a decisão e o modelo de privatização da TAP não está nem pode estar em causa».

Segundo referiu, «ficou bem claro na reunião de hoje que esta greve não tem como objetivo alterar essa decisão do Governo», uma vez que na origem da paralisação «estão um conjunto de preocupações que a plataforma sindical apresentou, preocupações legítimas, de várias classes de trabalhadores e de funções na TAP e que é a justificação para este pré-anúncio de greve».

O titular da pasta da Economia sublinhou que a transportadora «ganha tendo sócios que possam injetar capital para a empresa crescer e poder desenvolver-se, ganha tendo regras de gestão mais flexíveis».

O ministro da Economia disse ainda que o Governo está a acompanhar «de forma muito próxima esta situação que se está a pré-anunciar na TAP» e garantiu que o executivo não deixará de tomar, em cada momento, as medidas que entender para que o interesse dos portugueses possa ser protegido «na quadra natalícia».

«O governo está a acompanhar esta situação com grande atenção e não deixará de tomar as medidas que entender para que o interesse dos portugueses que confiam e precisam da TAP seja protegido».


Os sindicatos que representam os trabalhadores da TAP, entre os quais os pilotos, decidiram na quarta-feira avançar com uma greve de quatro dias, entre 27 e 30 de dezembro.

A plataforma que reúne os 12 sindicatos da TAP refere que a greve tem como objetivo "sensibilizar o Governo para a necessidade de travar o processo de privatização" da companhia.