O presidente executivo da TAP disse esta sexta-feira que a eventual reversão da privatização é uma solução política que tem que ser encontrada, mas considera esse processo difícil e lembra que já gastou metade do dinheiro que entrou com a venda.

"Não sei como se reverte a privatização. Entraram 180 milhões de euros e eu já gastei metade", respondeu hoje Fernando Pinto à pergunta das agências de viagens sobre como vê esta intenção da atual maioria parlamentar.

"Eu entendo a base política, mas uma coisa é a que se gostaria e outra é a que é possível. Ando há 15 anos a procurar alguém para investir na TAP (…). Tudo é possível, mas acho muito difícil. Estamos num caminho muito bom. Tem que se achar uma solução política para que todos fiquem satisfeitos".


Fernando Pinto respondia às questões da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), num painel integrado no 41.º Congresso da APAVT, que decorre em Albufeira.

O governo de Passos Coelho aprovou a minuta final do acordo relativo à privatização da TAP no dia 12 de novembro, entregando 61% do capital da transportadora aérea ao consócio Gateway (do americano David Neeleman e Humberto Pedrosa), contra as reivindicações dos socialistas.

Na altura, o então secretário-geral do PS, António Costa, disse ainda acreditar que seria "possível e razoável" o Estado manter 51% da TAP, “no quadro da lei e em negociação com os compradores”.

No programa de Governo apresentado pelos socialistas, o PS mantém a intenção de manter “a titularidade sobre a maioria do capital social da TAP”.