O atual presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, congratula-se com o trabalho feito na instituição financeira pela sua equipa. Na comissão de inquérito ao BES admitiu que, numa fase inicial, «é natural» que o Novo Banco esteja «a percorrer um caminho difícil».

«Já não estamos na situação de cuidados intensivos, mas na sala de observações. Temos bastante mais depósitos»

Entusiasmado, Stock da Cunha disse aos deputados que «as pessoas» são o que faz um banco. «São as pessoas que trazem os clientes. A única vantagem competitiva sustentável são as pessoas. Se não tiver boas pessoas, pode demorar uma geração até conquistar novos clientes», respondeu a Duarte Marques (PSD). Foi mais longe:

«Continuo a achar que somos os melhores do país»

Atualmente, o Novo Banco está numa «situação de liquidez muito razoável». Recuperou 4 mil milhões de depósitos desde agosto de 2014. Em seis meses, esse valor duplicou. 

Sem «problemas de liquidez», Eduardo Stock da Cunha agradece aos «clientes que confiaram em nós e toda a atuação do banco», através dos seus colaboradores. 

Questionado diretamente sobre quando será divulgado o balanço do banco, respondeu: «Para breve, não sei se um mês…». De qualquer modo, frisou, «aquilo que é relevante não é a conta de resultados, é o balanço de quanto tem de crédito e de depósitos».
 

O que mudou no BES?

A equipa de Stock da Cunha está a efetuar uma «separação de funções de execução e de controle entre as áreas comerciais e as áreas de risco», o que pode ter «justificado os problemas no antigo BES».

O presidente do Novo Banco deu dois exemplos aos deputados: «Criámos o departamento de crédito, que não existia, e alterámos todos os níveis de aprovação de crédito. E, na área de mercados financeiros, efetuámos a separação exata de funções de contratação, contabilização e liquidização». O banco «merecia melhores práticas de crédito».

Antes da sua audição, quatro membros da Associação Os Indignados e Enganados do Papel Comercial, que queriam assistir à sua intervenção, não foram autorizados a entrar. Apesar disso, tiveram uma reunião com o presidente do Novo Banco. Stock da Cunha explicou, depois, aos deputados, que o banco não tem «obrigação legal» de compensar os clientes que investiram em papel comercial, mas vai tentar fazê-lo, desde que isso traga «vantagens» para a entidade financeira. 

Já sobre a queda da garantia de Angola, fez notar que o Novo Banco nasceu no dia 4 de agosto, sem essa garantia, e  empurrou responsabilidades sobre o assunto para o Banco de Portugal. Quanto à venda da PT Portugal, onde o Novo Banco detinha uma participação de 12,6%,  aos franceses da Altice, a decisão do voto favorável foi do conselho de administração, mas  esteve sujeita ao crivo do Banco de Portugal