Quatro membros da Associação Os Indignados e Enganados do Papel Comercial estiveram no Parlamento para entregar um documento ao presidente do Novo Banco mas não foram autorizados a entrar na comissão de inquérito onde Eduardo Stock da Cunha estava prestes a ser ouvido.

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: as explicações do presidente da Comissão parlamentar

No entanto, tiveram uma reunião com o presidente do Novo Banco, numa sala ao lado da sala 6, onde decorrem habitualmente as audições na comissão de inquérito sobre a derrocada do Grupo Espírito Santo, que levou por arrasto o Banco Espírito Santo.

O presidente do Novo Banco admitiu que foi a primeira vez que recebeu os representantes dos clientes lesados com o papel comercial do GES. Dois deles falaram com a TVI.

«Honestamente, ficámos com uma réstea de esperança muito, muito reduzida. A nossa esperança em relação à resolução do problema acaba por quase não existir. Pode haver muito boa vontade do dr. Eduardo Stock da Cunha para com as pessoas e para com o nosso problemas, mas claramente não está nas mãos dele resolver isto» 

Existem à volta de 5 mil pessoas com este problema. «O Banco de Portugal é claramente o dono disto tudo, ou o Governo. Penso que acabam por ser a mesma pessoa. Devem deitar a mão a isto e resolver esta burla», disse o representante de uma das associações de clientes lesados.

Já na sua intervenção inicial, explicou aos deputados que o Novo Banco não tem «obrigação legal» de compensar os clientes que investiram em papel comercial da Espírito Santo Internacional e Rio Forte. Vai tentar fazê-lo, mas precisa de garantir «vantagens» para o banco. 

Perante os deputados, Stock da Cunha confirmou que já foram recuperados 4 mil milhões de euros de depósitos do antigo BES, desde agosto de 2014 até agora. Em seis meses, o valor inicial duplicou.

«A situação de liquidez é muito razoável. Já não estamos na situação de cuidados intensivos, mas na sala de operações. Temos bastante mais depósitos»

Assinalando que o banco não tem, atualmente, «problemas de liquidez», agradece o facto de os clientes terem «confiado» no banco e elogia «toda a atuação» dos colaboradores. 

Já sobre a queda da garantia de Angola, fez notar que o Novo Banco nasceu no dia 4 de agosto, sem essa garantia, e  empurrou responsabilidades sobre o assunto para o Banco de Portugal. Quanto à venda da PT Portugal, onde o Novo Banco detinha uma participação de 12,6%,  aos franceses da Altice, a decisão do voto favorável foi do conselho de administração, mas  esteve sujeita ao crivo do Banco de Portugal