O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) vai manter a greve de três dias marcada em novembro, apesar da disponibilidade manifestada pelo Governo para negociar com os representantes dos funcionários do fisco, confirmou o presidente da estrutura sindical.

A direção do STI, presidida pelo presidente do sindicato, Paulo Ralha, esteve esta tarde reunida desde as 15:00 no Ministério das Finanças, em Lisboa, perto de uma hora com o chefe do gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, no dia que antecede a paralisação de três dias marcada pela estrutura sindical.

«A reunião de urgência era necessária e foi muito positiva porque houve abertura para começarmos a trabalhar sobre determinadas matérias que consideramos cruciais, nomeadamente, a negociação das carreiras, do vínculo de nomeação, o desbloqueamento de progressões que não são automáticas, mas por mérito, e a nossa participação na negociação do encerramento de serviços», disse o presidente do STI aos jornalistas, Paulo Ralha.

Embora se tenha congratulado com esta abertura manifestada pelo executivo para negociar com o STI, Paulo Ralha afirmou que «a greve não é desconvocada porque não há condições. A greve mantém-se. O que há é abertura que até este momento não existia».

O presidente do STI referiu que «a greve só seria desconvocada havendo um compromisso por escrito entre o STI e o Ministérios das Finanças sobre determinadas matérias com prazos e uma calendarização de ações».

«Enquanto isso não existir não há condições para cancelar a greve», afirmou o dirigente sindical, assinalando que o STI tem agora pela frente «abertura para discutir estas matérias a partir de janeiro».

Rejeitando quaisquer pressões por parte da tutela para que os trabalhadores dos impostos desconvocassem a paralisação nos dias 19, 20 e 23 de dezembro, Paulo Ralha acentuou que a manutenção da greve «é o sinal certo, porque nenhuma das reivindicações está garantida».

As datas da greve coincidem com o fim do «perdão fiscal» concedido pelo Governo a particulares e empresas com dívidas fiscais e à Segurança Social e que as regularizem até dia 20 de dezembro deste ano.

Para assinalar o primeiro dia de paralisação, no início de dezembro o STI marcou uma concentração para quinta-feira, dia 19, junto ao Ministério das Finanças, em Lisboa, para protestar contra a falta de disponibilidade da tutela em receber o sindicato, que desde setembro tem solicitado audiências com a Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, mas sem sucesso.

A greve abrange os trabalhadores das repartições de Finanças, dos postos, delegações e alfândegas de todo o país e pretende mostrar ao Governo o seu descontentamento com a perda de rendimento e a falte de progressão de carreira.

Para assegurar uma elevada adesão a esta greve, o STI decidiu pela primeira vez recorrer ao fundo de greve que conta com cerca de 1,5 milhões de euros.