O antigo ministro das Finanças António Bagão Félix classificou como «uma gordura» a sobretaxa do IRS, mas elogiou a reforma, apesar de considerar que a redução do imposto vai ser mais simbólica do que substantiva.

«Acho, muito realisticamente, que a redução do IRS vai ser mais simbólica do que substantiva, mas o simbólico tem também o seu papel a percorrer, não só para reduzir uma sobretaxa, que é injusta, mas também para aumentar a consideração de uma lógica familiar e a não oneração excessiva dos rendimentos do trabalho, que pode ser feita progressivamente com a introdução do coeficiente familiar que não seja apenas conjugal», disse Bagão Félix.

O antigo governante, que falava na conferência "Afirmar o futuro - políticas públicas para Portugal", organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, que decorrerá hoje e na terça-feira em Lisboa, considera que é positiva a reforma do IRS.

«Perante a questão sobre qual a primeira medida a tomar, a resposta é a diminuição da sobretaxa. Os impostos têm gorduras, a sobretaxa é uma gordura», disse.

Por outro lado, o antigo ministro sublinhou que o país não pode continuar «numa lógica de curto prazo», mas de visões estratégicas de longo prazo.

Como exemplo do que corre menos bem, Bagão Félix abordou o caso das instituições que foram incluídas no perímetro orçamental, entre elas, fundações, empresas municipais, sociedades anónimas, sociedades de quotas, lembrando que «os contribuintes vão ter de algum modo de pagar».

«A redução da despesa tem três vertentes: volume do Estado, preço e simbólica. Pergunto se os pensionistas, os funcionários públicos e os desempregados acham bem que o Estado deva contribuir para o clube de golfe das Amoreiras, ou para o estádio municipal de Aveiro ou para o Golf Resort em Porto Santo, que são algumas das instituições que são agora parcialmente incorporadas no perímetro orçamental e que os contribuintes vão ter também de assumir», frisou.

Questionado sobre se uma nova coligação PSD/CDS-PP é desejável nas próximas eleições legislativas, Bagão Félix afirmou: «Acho que não é uma questão de coligação, é uma questão de partidos».

«Não digo ao nível do diretório dos partidos, mas ao nível do eleitorado não há grandes diferenças entre o CDS e o PSD. É claro que ao nível do diretório há diferenças e claro que depois são artificiais», disse.