A greve de 24 horas convocada para esta quinta-feira na Segurança Social «está a exceder as expetativas» dos sindicatos, face ao «clima de medo» que se vive entre os funcionários destes serviços, indicou a Fesap.

«A greve está a exceder as nossas expetativas, pois não estávamos à espera desta adesão massiva, quando existe uma situação de grande medo e dificuldade nos serviços», afirmou aos jornalistas o secretário-geral da Federação dos Sindicatos de Administração Pública (Fesap), Jorge Nobre dos Santos, presente numa concentração de trabalhadores frente ao Instituto de Segurança Social, em Lisboa.

Em causa estão níveis de adesão entre 75% a 80% na paralisação convocada para esta quinta-feira pelo Sintap-Sindicato dos Trabalhadores de Administração Pública (pertencente à Fesap e afeto à UGT) e também pela Frente Comum (CGTP), calculou, por seu lado, o secretário-geral do Sintap, José Abraão.

A greve deve-se aos planos do Governo para colocar 697 trabalhadores dos serviços de Segurança Social em situação de requalificação.

O Sintap entregou também hoje uma petição na Assembleia da República, pela defesa dos postos de trabalho na Segurança Social, com mais de 4.000 assinaturas «recolhidas na última semana e meia», número necessário para levar o assunto a debate no plenário.

No que respeita aos assistentes operacionais (como motoristas e telefonistas), o processo de seleção está neste momento a decorrer, tendo sido convocados os 945 funcionários com estas funções que pertencem aos serviços de Segurança Social, para se selecionar aqueles que irão para requalificação.

«Isto traz uma situação de grande medo a essas pessoas, pois são os que estão numa situação financeira mais difícil», afirmou José Abraão.

Ao abrigo do regime de requalificação, os funcionários são dispensados do serviço e se não forem reintegrados noutros locais passam a receber 60% do ordenado. Após um ano, os trabalhadores com contrato individual de trabalho podem ser dispensados, enquanto os restantes passam a auferir 40% do salário anterior, lembrou o mesmo responsável.

No entanto, os sindicatos sublinham que há falta de pessoal nos serviços, afirmando que em setembro passado o conselho diretivo do Instituto de Segurança Social informou que aceitava todos os trabalhadores em mobilidade interna vindos das câmaras e do Instituto Português da Juventude.

A situação só se alterou, sustentam, porque o Governo anunciou em Bruxelas que irá enviar 12 mil trabalhadores da Função Pública para requalificação.

De acordo com Nobre dos Santos, a Fesap irá ser recebida no próximo dia 10 de dezembro para abordar a situação dos funcionários da Segurança Social, numa reunião com os secretários de Estado da Segurança Social e da Administração Pública e com o presidente do Instituto de Segurança Social.