O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, reconheceu hoje que a comissão de trabalhadores (CT) da Autoeuropa "arrancou um bom acordo", mas advertiu que é necessário fazer a defesa desse pré-acordo junto dos trabalhadores da fábrica de automóveis de Palmela.

O que sempre nos preocupou foi que a Comissão de Trabalhadores nunca tivesse conseguido passar a mensagem de convencimento dos trabalhadores de que aquilo que tinha pré-acordado era bom", disse Carlos Silva, após uma reunião com a administração da Autoeuropa, um dia depois de ter sido anunciado um novo pré-acordo que prevê aumentos salariais de 3,2% para este ano.

Referindo-se ao encontro com a administração da Autoeuropa, Carlos Silva disse que saiu "satisfeito pela abertura em relação ao futuro e pela possibilidade de discutir posteriormente alterações na estrutura daquilo que é a sua contratação coletiva".

Gostaríamos que [a administração da Autoeuropa] viesse ao nosso encontro. Por isso, o SINDEL, Sindicato Nacional da Indústria e da Energia, quando entender oportuno, de forma discreta, poderá fazer uma proposta de Acordo de Empresa, de que já se falou", disse.

 

O secretário-geral do SINDEL entende que ainda não estão reunidas essas condições e, já agora, numa altura destas, negociação coletiva e acordos metidos na praça pública, não é de bom tom, não servem ninguém e não ajudam a empresa e, sobretudo, não permitem a estabilidade de que os trabalhadores necessitam", acrescentou Carlos Silva.

Confrontado com o facto de a visita à Autoeuropa ter acontecido um dia depois de ter sido alcançado um novo pré-acordo entre a administração e a CT, que prevê um aumento salarial de 3,2%, com um mínimo de 25 euros, e uma gratificação de 100 euros ou 200 euros em abril de 2018 conforme a antiguidade, Carlos Silva considerou que o encontro não ocorreu demasiado tarde para a UGT.

Não, de forma nenhuma. Pedimos a reunião logo a seguir à reunião no dia 10 ou dia 11 deste mês, logo a seguir à reunião com o Presidente da República. Ainda bem que houve acordo. Nós também fizemos a nossa pressão junto dos nossos congéneres europeus, neste caso a IGmetal na Alemanha, e também em Bruxelas, onde vou com regularidade", disse.

 

A questão dos aumentos salariais estava a ser discutida em todo o grupo Volkswagen. O que aconteceu na terça-feira à noite com o acordo entre a IGmetal e a Volkswagen, em Berlim, também espoletou e facilitou, por réplica natural, a possibilidade de acordo para todas as outras unidades na Europa. Aconteceu aqui. Estamos satisfeitos por isso", concluiu Carlos Silva.