A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) acusou esta quarta-feira a administração da STCP e o Governo de «ignorarem» a necessidade de contratação de mais motoristas, afirmando que «parece quererem transformar» estes trabalhadores «na peça mais barata dos veículos».

Em causa estão «as milhares de horas de trabalho extra» que os motoristas da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) realizam, afirmou, em declarações à Lusa, Vítor Pereira, da direção da Fectrans.

Segundo o responsável, a tutela e a administração da transportadora foram já alertadas para a necessidade de a STCP contratar «mais 80 motoristas», tendo em conta que o número atual de trabalhadores é «insuficiente» para cobrir o serviço programado.

«Em 2012, os motoristas realizaram cerca de 98 mil horas de trabalho extra», disse, acrescentando que houve, por isso, um aumento de absentismo por doença nos motoristas e guarda-freios de «cerca de 70 mil horas».

Vítor Pereira afirmou que «a população está cada vez mais mal servida, há uma perda de qualidade no serviço prestado e a administração da STCP e a tutela querem ignorar» o problema.

Para a Fectrans e para o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), os número relacionado com o absentismo é «revelador das cargas horárias e ritmos de trabalho que se estão a exigir a estes trabalhadores».

Vítor Pereira adiantou também que «há uma grande revolta dos clientes [da STCP] junto dos motoristas», por «ficarem nas paragens à espera dos autocarros» que não aparecem por falta de motoristas para cobrir os serviços.

Como consequência, há também um «aumento de agressões a motoristas devido à falta de resposta por parte da empresa nos serviços à população», reafirmou Vítor Pereira, que já tinha alertado para este problema em finais de maio.

O responsável pela Fectrans disse ainda que, entre o dia 1 de maio e 30 de junho, «apareceram 2.900 serviços a cobrir em trabalho extraordinário», acrescentando que «mais de 50% do trabalho suplementar não é feito».

De acordo com as duas estruturas sindicais, em 2012, «a STCP gastou menos 480.638 litros de gasóleo e menos 660,283 metros cúbicos de gás natural».