A parte dos trabalhadores da Autoeuropa representados pelo sindicato afeto à CGTP querem mais 250 euros por mês para aderirem ao novo horário de transição. A reivindicação consta do conjunto de propostas apresentado à administração. Já a Comissão de Trabalhadores têm reivindicações, mas outras. Umas coincidentes com o que apresentou o sindicato outras nem por isso, disse ao jornalistas, Fernando Gonçalves, que lidera à Comissão.

Os 250 euros é o pedido do sindicato. É uma luta e é uma proposta do sindicato. Podiam ser coincidentes [as propostas], e são em alguns pontos, mas não neste", disse o responsável da Comissão.

Antes, em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (Sitesul) explicou  que apresentou na terça-feira oito propostas à administração da fábrica da marca Volkswagen em Portugal.

Entre elas, está o pagamento dos sábados como horário extraordinário e a adesão ao horário de transição em regime de voluntariado: o "pagamento dos sábados como trabalho extraordinário, ou seja, um acréscimo de 100% em relação ao valor da retribuição diária", mais 250 euros mensais para todos os trabalhadores que aceitem praticar aquele horário de transição, por forma a "compensar a desorganização da vida familiar e pessoal".

O sindicato reclama ainda o pagamento das despesas com a guarda dos filhos dos trabalhadores que aderirem a este regime. O objetivo destas propostas é resolver o conflito laboral que os novos horários da fábrica provocaram e criar condições para um acordo.

"A administração tem agora a derradeira oportunidade de se aproximar de uma solução que permita a resolução do conflito", afirma o Sitesul.

Já depois de ter tomado conhecimento do conjunto de propostas do Sitesul a administração da Autoeuropa reuniu - quinta-feira -, com a Comissão de Trabalhadores.

Aos jornalistas, Fernando Gonçalves disse que “esta semana houve duas reuniões [com a administração], onde voltámos a reafirmar a disponibilidade para reatar negociações para a primeira parte do ano e empresa não mostrou interesse para tal, por tanto, a única abertura que tivemos foi para o horário."

Em causa, não está o horário, propriamente dito, clarificou depois, mas a rotação semanal do turno e o espaçamento entre os fins-de-semana em que os trabalhadores passarão a trabalhar.

Para a semana estão previstas mais duas reuniões - uma quarta outra sexta-feira -, entre Comissão e administração, para, eventualmente, fechar o tema, já que cada trabalhador vai ser chamado a escolher que rotação prefere. Para cima da mesa vai também assunto: aumentos salariais. 

As conclusões dos encontros serão depois escrutinadas em plenário de trabalhadores, possivelmente na outra semana, sendo que Fernando Gonçalves admite que todas as possibilidades de contestação continuam em aberto.

Um dos temas que tem suscitado mais dúvidas e divergências de entendimento é a forma como serão pagos os sábados de trabalho. A administração assegura que serão pagos como horas extra, ou seja, um dia mais 100%. Tanto a Comissão como os sindicatos dizem que não é verdade e que os tais 100% a mais não existem. Hoje, Fernando Gonçalves voltou a insinuar que a administração mente, e que tudo se comprovará nos recibos de vencimento de fevereiro.

No final do ano passado, a administração da Autoeuropa anunciou a intenção de avançar com o novo horário transitório após a rejeição de dois pré-acordos negociados previamente com duas Comissões de Trabalhadores.

A Autoeuropa prevê produzir mais de 240.000 veículos Volkswagen T-Roc em 2018, quase triplicando a produção de 2016.