O presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas defende que o processo de rescisões por mútuo acordo na Caixa Geral de Depósitos seja feito em igualdade de circunstâncias para todos os trabalhadores, o que, acha, não está garantido.

Tem que ser encontrado um regime que satisfaça todos os trabalhadores, que não deixe uns e outros em situações diferentes”, disse à agência Lusa, Rui Riso, presidente Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e dirigente sindical da Febase, estrutura que agrupa os sindicatos de bancários ligados à UGT.

Na quarta-feira, a administradora com o pelouro do pessoal, Maria João Carioca, reuniu-se com os sindicatos e comissão de trabalhadores do grupo bancário para anunciar um programa de rescisões.

Em causa está a necessidade de a CGD reduzir cerca de 500 a 600 pessoas este ano do quadro de pessoal e não estar a ter as adesões que necessitaria no programa de pré-reformas em vigor. O banco estima que, até final do ano, haja 350 trabalhadores em condições de se reformarem e pré-reformarem.

Segundo informações dadas aos sindicatos, a proposta da CGD é oferecer aos trabalhadores mais recentes ou de empresas do grupo Caixa, que descontam para a segurança social, 1,6 meses por cada ano de serviço, no máximo de cinco anos de salários, e acesso ao subsídio de desemprego.

Já para os trabalhadores que descontam para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a proposta é 2,1 meses por cada ano de trabalho, também no máximo de cinco anos de salários.

Neste caso, não é dado acesso ao subsídio de desemprego, uma vez que na CGA tal não está contemplado. Este é o regime dos funcionários do Estado, que, por regra, não faz despedimentos ou programas de rescisões.

É preciso "plataforma equivalente"

Questionado sobre as condições apresentadas pela CGD, o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas considerou que ainda não são suficientes para garantir a igualdade entre todos os trabalhadores.

Rui Riso considera necessário encontrar uma “plataforma equivalente” para todos independentemente do regime de proteção social em que estão, seja Segurança Social ou Caixa Geral de Aposentações.

Assim, explicou, é preciso que as condições oferecidas sejam equivalentes quer nos rendimentos oferecidos quer nos efeitos para a reforma.

No caso dos trabalhadores com subsídio de desemprego, o tempo em que estão a ganhar esta prestação social conta para o cálculo da pensão de velhice, enquanto os da CGA não beneficiarão disso, uma vez que nesse regime não há subsídio de desemprego.

Por outro lado, lembrou, na Segurança Social e na CGA o valor da reforma também é calculado de forma diferente. Também na assistência na saúde há diferenças entre trabalhadores da CGD.

Assim, disse, é preciso que a administração do banco encontre nos regimes diferentes uma “igualdade de circunstâncias” para todos os funcionários.

Rui Riso pediu ainda que, neste processo, não haja quaisquer pressões das chefias sobre os trabalhadores para que cada um possa “decidir livremente”.

Também o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) se pronunciou sobre o plano de rescisões na CGD.

Em comunicado, o presidente do sindicato, Paulo Marcos, afirmou que estará “muito atento” à forma como as rescisões decorrerão e considerou que as medidas impostas por Bruxelas à CGD “não podem incidir apenas na redução de postos de trabalho”.