A direção do Sindicato dos Quadros Técnicos e Bancários disse esta quinta-feira que são falsas as informações sobre alegada gestão danosa e que se devem à “ambição desmedida” de alguns sócios.

A direção do sindicato responde assim aos sócios que têm acusado publicamente o presidente, Afonso Diz, de “gestão ruinosa” e que se queixam de falta de informação e de decisões opacas.

Considera a direção, em comunicado, que não é inocente haver sócios a referirem “alegadas práticas de gestão danosa e desvio de dinheiro dos cofres da instituição”, que afirma serem “totalmente falsas”, “num momento em que se avizinha a data das eleições para os corpos sociais”.

Para os dirigentes deste que é um dos sindicatos mais ricos do país, com receitas anuais de 50 milhões de euros, é “legítima e desejável a participação dos sócios na vida do sindicato”, mas que o que não pode acontecer é que “em nome de uma ambição desmedida ou de desejos de vingança por derrotas eleitorais passadas, alguns sócios procurem denegrir o bom-nome da direção e, simultaneamente o do sindicato”.

A direção dá ainda explicações sobre as fundações que foram criadas, nos últimos anos, no âmbito do sindicato: a Fundação Social do Quadro Bancário (FSQB) e a Fundação Social Bancária (FSB).

Sobre as controversas fundações e os casos jurídicos que as envolvem, explica que apesar de a FSQB ter sido constituída em 2003, só em 2009 a Justiça a considerou nula, depois de um processo aberto em 2007.

“Essa decisão judicial teve como exclusivo fundamento o entendimento que ‘um sindicato é um meio de obter solidariedade social em matéria laboral dos seus associados, pelo que não pode constituir uma fundação que tenha como objetivo a prestação de serviços não apenas aos seus associados, mas também a terceiros…’. Ou seja, a FSQB era demasiadamente solidária”, refere a nota de imprensa.

Houve então alteração dos estatutos para ficarem de acordo com a lei e diz a direção que foi já depois disso que “de inteira boa-fé e plenamente convicta da regularidade da sua situação, a FSQB continuou a cumprir com as suas obrigações legais e, bem assim, a desenvolver os projetos sociais que se encontravam já em curso.”

Ainda sobre esta polémica, e sobre que património pertence a cada fundação, diz a direção do SNQTB que, “com vista a eliminar qualquer hipótese de dúvidas ou questões jurídicas, encontram-se em curso as medidas legais adequadas para reincorporar o dito património no Sindicato”.

Para a direção do sindicato, o que se está a passar são trâmites normais que demoram o seu tempo e a comunicação social está “a ser instrumentalizada por alguns sócios e que estes, na ânsia da conquista de votos, tentem manchar o nome do Sindicato, sem olhar a meios, prejudicando também todos os demais consócios.”.

Um grupo de sócios do SNQTB está a recolher assinaturas para pedir a destituição da atual direção, liderada por Afonso Diz, a quem acusam de “gestão ruinosa” e de tomar decisões “sem conhecimento dos associados”,

Armando Lázaro, sócio fundador do sindicato, disse à Lusa que o objetivo da recolha de assinaturas é convocar “uma assembleia-geral extraordinária para afastar Afonso Diz e toda a direção, nomear uma comissão administrativa para gerir o sindicato e, no prazo de 60 dias, convocar novas eleições”.

O SNQTB foi fundado em 1983, contando atualmente com mais de 17 mil associados. Afonso Diz é presidente há mais de duas décadas.