O porta-voz do Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil considerou esta quarta-feira que não houve conclusões no relatório final da comissão parlamentar de inquérito à SATA porque “não se apuraram responsabilidades”, tendo defendido uma gestão despolitizada da empresa.

“Pelo que li do relatório, não houve conclusões porque não se apuraram responsabilidades. E o relatório era para se apurarem responsabilidades. Ao não serem apuradas, e utilizando uma metáfora, o rei vai nu”, declarou aos jornalistas Bruno Fialho, em Ponta Delgada.

A comissão de inquérito à SATA, no parlamento dos Açores, foi proposta pela bancada do PSD e visava apurar as responsabilidades políticas pela situação financeira em que se encontra a companhia aérea pública açoriana, que teve prejuízos de 35 milhões de euros em 2014.

Em sede de comissão parlamentar, o relatório foi aprovado apenas com os votos favoráveis dos deputados da maioria socialista, enquanto PSD, CDS, BE, PCP e PPM consideraram ter havido “ingerência” do Governo Regional, liderado por Vasco Cordeiro, na gestão da companhia, nomeadamente na escola de rotas deficitárias.

Uma delegação do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil esteve cerca de três horas reunida com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), presidida por Mário Fortuna, num encontro que antecipou reuniões de trabalho com os partidos com assento parlamentar.

O sindicalista defendeu a necessidade de o grupo SATA apostar numa gestão profissional como forma de ultrapassar as dificuldades financeiras entretanto criadas, para que seja capaz de “sair da situação em que está”.

Bruno Fialho apontou como uma das ideias partilhadas com o responsável da Câmara do Comércio a condenação da “má ingerência política” que se tem registado na companhia aérea, defendendo a necessidade de os políticos se afastarem das decisões que têm sido tomadas na companhia aérea.

O sindicalista, que defende que o turismo deve crescer nos Açores através de uma gestão profissional, frisou que as “más opções” não podem continuar, sob pena de serem os açorianos os únicos prejudicados em todo este processo.

Bruno Fialho referiu que, nos últimos cinco anos, a SATA passou para uma tutela política que “tem sido contrária aos interesses dos açorianos e da própria empresa”.

Bruno Fialho afirmou que o sindicato foi informado sobre o “possível gasto que poderá ser efetuado” na apresentação do avião A330, não licenciado, na sexta-feira, nos Açores, para “tirar umas fotografias e voltar à manutenção”, visando apenas que a empresa declare que cumpriu com o calendário estipulado para a chegada da aeronave.

“São este tipo de gastos, de gestões operacionais, ruinosos para a SATA, que viemos debater com a CCIPD, porque é parte importante da ilha de São Miguel e do restante arquipélago”, disse Bruno Fialho.

Declarando que a estrutura sindical pretende que “as coisas funcionem”, como não acontece há já alguns anos, por “incompetência e pressão” da tutela, Bruno Fialho voltou a lamentar que se tenha abandonado uma rota rentável como a Madeira.

“Ainda ontem, Vasco Cordeiro confirmou que deu ordens à SATA para operar em rotas não rentáveis. A junção destes dois fatores - sair de uma rota rentável e termos rotas não rentáveis - provoca enormes prejuízos na empresa. A troco de que é que estas situações são feitas, nós não sabemos, mas vamos investigar ”, disse.

Mário Fortuna subscreveu a preocupação sindical com a sustentabilidade da empresa e defendeu a necessidade de “repor a SATA” em termos meramente comerciais, sem excluir a hipótese de a companhia fazer o que o Governo quer que esta faça logo que seja devidamente compensada.