A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) prevê que as vendas de automóveis ligeiros cresçam quase 4% este ano para 129 mil unidades, mas sublinha que o setor continuará «debaixo de água» até atingir as 150 mil unidades.

Quanto aos veículos ligeiros de passageiros, o crescimento previsto para 2014 será de 3,9%, para 110 mil automóveis, enquanto as vendas de comerciais ligeiros vão aumentar 4,9%, para 19.100 unidades.

«Os indicadores de confiança da economia e as vendas registadas em janeiro (aumento de 30% face a janeiro de 2013) parecem indicar que 2012 atingiu o bottom line e que o mercado está a inverter», disse o presidente da ACAP, José Rosa, em conferência de imprensa.

Em 2013, o mercado automóvel cresceu 11,7% (para 105.898 unidades) face a 2012, o ano horribilis do setor, em que as vendas registaram o valor mais baixo dos últimos 27 anos. Contudo, em relação a 2011, verificou-se uma queda de 31% e face a 2010 a descida atingiu os 52,6%.

O secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, explicou que a ligeira recuperação do mercado automóvel se deve, sobretudo, ao segmento das empresas, que desde 2012 não investiam nem renovavam as suas frotas e que a partir de maio do ano passado começaram a mostrar mais confiança.

«Esperamos que esta recuperação se consolide em 2014, quer pela via das empresas quer pela via dos particulares. O índice de confiança, continuando muito negativo nos particulares, já é menos negativo do que era, o que é positivo para o país, a economia e será também para o mercado automóvel em 2014», disse.

Apesar da melhoria do índice de confiança, quer de particulares quer de empresas, a verdade é que o mercado ainda «está debaixo de água» e não recuperou da grave recessão que teve início em 2009, só conseguindo respirar quando atingir as 150 mil unidades, alertou o vice-presidente da associação, José Ramos, estimando que essa meta seja alcançada em 2016 e sublinhando que terá de haver uma recuperação profunda do mercado.

Para Hélder Pedro, a reintrodução do sistema de incentivos ao abate de veículos em fim de vida «é a única medida de estímulo à procura», permitindo a venda de mais 15 mil automóveis e um aumento da receita fiscal de 50 milhões de euros.