O secretário de Estado dos Transportes afirmou hoje que não negoceia com base em greves e que «não há nada» que faça o Governo mudar de estratégia na área dos transportes, mostrando-se «perplexo» com a estratégia dos trabalhadores.

«Esta estratégia de fazer reféns as empresas de uma estratégia política por parte dos sindicatos não levará o Governo a mudar de políticas. Nós queremos empresas que sejam eficientes seja na esfera pública seja na esfera privada», afirmou Sérgio Monteiro aos jornalistas à margem de uma conferência hoje em Lisboa.

Dirigindo uma «palavra de simpatia» aos utentes do Metro de Lisboa que hoje não usufruíram daquele serviço por causa da greve de 24 horas dos trabalhadores da empresa, o governante disse que «as greves são um legítimo direito dos trabalhadores, mas, infelizmente, fazem perder clientes e perder receita e afastam as empresas da sustentabilidade financeira, que é uma condição para se manterem na esfera pública».

Para Sérgio Monteiro, as greves dos trabalhadores das empresas de transportes «empurram as empresas para a concessão a ser operada pelos privados, que é exatamente o contrário daquilo que os grevistas pretendem».

«É uma estratégia que me deixa um pouco perplexo. Não negociamos com base em greves e os grevistas, dois anos depois, já deviam ter percebido isso. Não há nada que nos faça mudar de política, porque a política é para a sobrevivência das empresas Não tomamos decisões na área dos transportes para os trabalhadores, tomamo-las para os clientes. Mau era se o Governo legislasse para os trabalhadores das empresas da tutela», rematou Sérgio Monteiro.

A circulação no metropolitano de Lisboa foi hoje paralisada às 00:00 devido ao início da greve de 24 horas dos trabalhadores, disse à Lusa fonte sindical.

De acordo com António Laires, do Sindicato Independente da Manutenção do Metropolitano de Lisboa (SINDEM), as portas de várias estações de metropolitano começaram a encerrar a partir das 23:30 de quarta-feira, mas a circulação foi paralisada a partir das 00:00.

Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa agendaram a paralisação depois de 36 organizações sindicais e comissões de trabalhadores do setor dos transportes terem decidido avançar com uma quinzena de greves, que começou a 25 de outubro e se prolonga até 08 de novembro.

Os trabalhadores protestam contra as propostas do Orçamento do Estado para 2014, como a concessão dos serviços a privados e a redução das indemnizações compensatórias às empresas, como relata a Lusa.