O Governo admite vir a privatizar a Infraestruturas de Portugal. A empresa lançada esta segunda-feira resulta da fusão da REFER com a Estradas de Portugal e passa a ser a maior empresa portuguesa, com ativos no valor de 27 mil milhões de euros.

“Nós hoje não tínhamos ninguém interessado em entrar no capital da Estradas de Portugal ou da Refer, mas achamos que, se criarmos um modelo mais sustentável para o futuro, então sim, aí nós teremos condições de, eventualmente, ter privados interessados em entrar no capital da empresa ou em negócios que hoje são desenvolvidos pela empresa”, disse o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, à margem do lançamento da empresa.

De acordo com o governante, a fusão permite implementar um modelo mais sustentável e, assim, mais atrativo para os investidores privados. “Diversificar as fontes de financiamento é um dos objetivos, ter mais gente a investir em Portugal, ter dinheiro do exterior a vir para Portugal”, acrescentou.

“Esta empresa tem receitas na ordem dos 1.100 milhões e contratos na ordem dos 250 milhões. Ora isso torna a empresa bastante atrativa para convencer privados, convencer capitais a financiarem esta atividade, que precisa de ser financiada, sem ser através do Orçamento do Estado”, explicou também o presidente da Infraestruturas de Portugal, António Ramalho.

Uma parte da dívida da empresa junto do Estado foi convertida em capital. “A empresa parte com capital de 2.555 milhões de euros, o que a torna numa das empresas mais capitalizadas do sector das infraestruturas”, adicionou o presidente.

A empresa arranca também com uma dívida de 3 mil milhões de euros, que António Ramalho garante ser “totalmente sustentável”. Separadas, as duas empresas acumulavam uma dívida de 12 mil milhões de euros.

“O Estado fez uma injeção de capital nas duas empresas, conjuntamente, de cerca de 3 mil milhões de euros. Partimos com 3 mil milhões de dívida, mas também partimos com suprimentos de 3 mil milhões”, concluiu.

De acordo com Sérgio Monteiro, o novo modelo de gestão vai permitir cortar custos e aumentar receitas, o que deverá permitir poupar aos contribuintes 2 mil milhões de euros em 10 anos.